O Ibovespa recua 0,42% na abertura desta sexta-feira (18), aos 185.216,16 pontos, pressionado pelo vencimento de opções, pelo cenário eleitoral, pela alta dos juros futuros, pela queda do petróleo e pelo desempenho negativo de ações de Vale e Petrobras. O movimento ocorre em uma sessão de exterior misto e coloca o principal índice da bolsa no caminho de uma queda semanal de 0,65% até o momento.
Vencimento de opções aumenta a volatilidade da sessão
O vencimento de opções costuma concentrar ajustes de posições e aumentar o volume de negociações em determinados papéis e no próprio índice. Opções são contratos que dão o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo por um preço previamente definido. Na prática, o evento pode ampliar oscilações no pregão, mesmo sem uma mudança equivalente nos fundamentos das empresas.
Nesta sexta-feira, esse fator se soma à pressão sobre Vale e Petrobras, companhias com forte influência sobre o comportamento da bolsa. A piora desses papéis ajuda a explicar por que o Ibovespa cai mesmo com sinais diferentes entre os mercados internacionais.
Eleição e Bolsa Família elevam preocupação fiscal
Uma nova rodada de pesquisas Datafolha mantém o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro empatados tecnicamente no primeiro e no segundo turnos. Lula, porém, conserva vantagem numérica nas duas simulações, e a disputa passou a ser acompanhada pelos investidores por seus possíveis efeitos sobre a política econômica.
Também pesa o reajuste de 15% no Bolsa Família, anunciado na quinta-feira (17). O piso do benefício subirá de R$ 600 para R$ 691 por família, enquanto o valor médio deve avançar de R$ 691 para R$ 777. O custo estimado é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027, mas a despesa não estava prevista no Projeto de Lei Orçamentária do próximo ano. A dúvida sobre como financiar a medida pressiona as expectativas fiscais e pode elevar os juros futuros.
Juros nos Estados Unidos fortalecem o dólar
O dólar à vista subia 0,21%, a R$ 5,1503, por volta das 10h10, enquanto o índice DXY, que compara a moeda americana com seis divisas fortes, avançava 0,20%, aos 100,449 pontos. A alta reflete a busca por ativos mais seguros e a expectativa de que os juros americanos permaneçam elevados por mais tempo.
Na quarta-feira (16), o Federal Reserve elevou a taxa em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% — o primeiro aumento desde julho de 2023. O presidente Kevin Warsh afirmou que a inflação continua alta, e o banco central sinalizou ao menos mais uma elevação até dezembro. O mercado precifica 57,6% de chance de nova alta em outubro e 89,4% em dezembro.
Petróleo cai pelo terceiro dia seguido
O petróleo Brent para novembro recuava 1,08%, a US$ 103,85 por barril, por volta das 10h, no terceiro pregão consecutivo de perdas. O WTI para outubro, negociado nos Estados Unidos, subia 0,49%, a US$ 102,40.
Os preços refletem a avaliação dos investidores sobre ataques na Arábia Saudita e por forças houthis do Iêmen, apoiadas pelo Irã, além de relatos de que barris adicionais sauditas podem chegar ao mercado. A perspectiva de oferta maior reduz parte do prêmio de risco e afeta empresas ligadas à exploração e produção de petróleo.
O que observar até o fim do pregão
Para quem investe, a sessão reúne fatores de curto prazo e questões capazes de influenciar os preços por mais tempo: o resultado das pesquisas eleitorais, a trajetória das contas públicas, as decisões do Fed e o comportamento das commodities. Juros futuros mais altos tendem a reduzir o valor presente dos lucros esperados das empresas e tornam aplicações de renda fixa mais competitivas diante da bolsa.
O mercado também deve acompanhar o câmbio, novas declarações sobre o Bolsa Família e a reação de Vale e Petrobras ao petróleo. Para consumidores e trabalhadores, a combinação pode aparecer indiretamente no custo de combustíveis, de produtos importados e do crédito, enquanto o reajuste do programa social afeta diretamente as famílias beneficiárias.
Impacto para a sociedade
A combinação de petróleo, dólar e juros americanos pode afetar combustíveis, produtos importados e o custo do crédito no Brasil. O reajuste do Bolsa Família também tem impacto direto para os beneficiários e aumenta a atenção sobre as contas públicas, que influenciam juros e impostos no futuro.
