As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) longos fecharam em queda nesta quarta-feira (16), mesmo após o Federal Reserve elevar os juros nos Estados Unidos, em um movimento que mostrou a força das expectativas eleitorais sobre os ativos brasileiros. O mercado também aguardava a decisão do Copom sobre a Selic, prevista para o início da noite, e interpretava dados mais fracos de atividade como sinal de espaço para novos cortes de juros no Brasil.
Taxa de 2035 cai 14 pontos-base
O DI para janeiro de 2035 terminou o dia com taxa de 14,22% ao ano, recuo de 14 pontos-base — cada ponto-base equivale a 0,01 ponto percentual — ante os 14,364% do fechamento anterior. A queda indica redução das taxas exigidas pelos investidores para emprestar dinheiro ao governo e a empresas em prazos mais longos.
Na parte intermediária da curva, o DI para janeiro de 2028 subiu 2 pontos-base, para 13,675%, contra 13,655% na sessão anterior. Após uma manhã de baixas, os contratos mais curtos se aproximaram da estabilidade depois da decisão do Fed, enquanto os vencimentos longos preservaram o movimento positivo.
Eleição compensou pressão vinda do exterior
O Fed elevou sua taxa básica em 25 pontos-base, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano, e sinalizou ao menos mais uma alta dessa magnitude em 2026. O presidente da instituição, Kevin Warsh, afirmou que a inflação americana continua alta demais e persiste por tempo excessivo.
A reação inicial foi de alta nos rendimentos dos Treasuries, títulos do governo americano. Às 16h38, a taxa da nota de dois anos subia 6 pontos-base, para 4,721%. Em condições normais, juros americanos maiores tendem a pressionar as taxas brasileiras, mas o mercado local deu mais peso ao cenário eleitoral.
Investidores recalibram as apostas para 2026
Para Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, o ambiente externo — com o Fed mais duro e o petróleo acima de US$ 100 por barril — justificaria uma abertura das taxas brasileiras. A avaliação, porém, é que a possibilidade de mudança no favoritismo eleitoral se tornou o fator mais relevante para a curva longa.
Pesquisas recentes passaram a mostrar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com vantagem numérica em algumas simulações de segundo turno. Parte do mercado financeiro avalia que uma eventual mudança de governo poderia favorecer uma agenda de ajuste fiscal, o que reduziria a percepção de risco sobre a dívida pública no longo prazo.
Atividade fraca reforça expectativa de corte
O movimento de queda das taxas ganhou força pela manhã após o Banco Central divulgar que o IBC-Br, índice usado como prévia da atividade econômica, recuou 0,22% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal. O resultado ficou abaixo da retração de 0,1% esperada por economistas.
A perda de ritmo da economia aumenta a expectativa de redução da Selic, atualmente em 14% ao ano. A curva de juros e os economistas consultados pelo mercado projetavam corte de 25 pontos-base na reunião desta quarta-feira, mas a atenção estava concentrada no comunicado do Copom e nas pistas para o encontro de novembro.
O que observar depois da decisão do Copom
Para quem investe, a queda dos DIs longos tende a elevar os preços de títulos prefixados e de papéis atrelados à inflação que já estão em carteira, embora novas aplicações passem a oferecer taxas menores. A direção dos juros também influencia o crédito: cortes da Selic podem reduzir o custo de financiamentos e empréstimos ao longo do tempo, enquanto incertezas fiscais e eleitorais podem interromper esse processo.
Nos próximos pregões, o mercado deve combinar a leitura do comunicado do Copom com novas pesquisas eleitorais, dados de atividade e a reação dos juros americanos. O petróleo, que recuou no dia, ainda permanecia elevado, perto de US$ 106 por barril de Brent no fim da tarde, mantendo uma fonte adicional de pressão sobre a inflação e os juros brasileiros.
Impacto para a sociedade
A decisão do Copom sobre a Selic influencia o custo de empréstimos, financiamentos e compras parceladas, além da remuneração de aplicações de renda fixa. Já a alta de juros nos Estados Unidos pode afetar o dólar, a inflação e o preço de produtos importados no Brasil.
