As bolsas europeias encerraram o pregão desta quarta-feira (16) em alta média de 0,46%, apoiadas pelo alívio nos preços do petróleo e pela expectativa em torno da decisão de juros do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. O movimento ajudou a sustentar ativos de risco, mas ocorreu em um ambiente ainda marcado por preocupações com inflação, energia e o conflito no Irã.
Índices de Londres, Frankfurt e Paris avançam
O Stoxx 600, índice que reúne ações de grandes empresas europeias, terminou o dia aos 637,09 pontos, com ganho de 0,46% em relação ao fechamento anterior. Em Londres, o FTSE 100 subiu 0,28%, para 10.688,47 pontos.
Na Alemanha, o DAX avançou 0,62%, aos 25.558,88 pontos. Em Paris, o CAC 40 também ganhou 0,62%, encerrando aos 8.140,59 pontos. A queda da pressão no petróleo reduziu, ao menos por enquanto, o receio de uma nova rodada de aumento dos custos de energia e transporte na Europa.
Petróleo mais comportado reduz pressão sobre a inflação
O petróleo é uma variável importante para a inflação porque afeta diretamente combustíveis e eletricidade e, indiretamente, o custo de transporte e de produção de diversos bens. Quando a cotação perde força, os investidores tendem a revisar para baixo parte das projeções de inflação, o que pode favorecer ações e títulos de renda fixa.
O alívio, porém, não elimina os riscos. A Capital Economics avalia que o encarecimento do gás e da eletricidade ainda deve prolongar a fraqueza da indústria europeia. Além disso, os riscos inflacionários associados ao conflito no Irã elevaram os rendimentos dos títulos globais e pressionaram ativos considerados mais arriscados.
Mercado aguarda primeira alta de juros de Warsh
Os contratos acompanhados pela ferramenta FedWatch, da CME, indicavam probabilidade de 93% de uma elevação de 25 pontos-base nos juros americanos. Um ponto-base corresponde a 0,01 ponto percentual. Se confirmado, será o primeiro aumento sob o comando de Kevin Warsh no Fed.
A alta dos juros tende a encarecer o crédito e a aumentar a remuneração dos investimentos de renda fixa em dólar. Também pode reduzir a atratividade de ações, especialmente as de empresas de crescimento, e fortalecer a moeda americana, com possíveis reflexos sobre países emergentes.
“Embora seja razoável que o Fed adote uma postura de esperar para ver antes de aumentar os juros, ele tem se mostrado firme em relação à inflação. Se não agir, sua credibilidade poderá ser abalada”, afirmou Kathleen Brooks, diretora de pesquisa da XTB.
Inflação britânica e decisões do BCE ficam no radar
No Reino Unido, o índice de preços ao consumidor acelerou para 3,1% em agosto. Para o ING, a alta continua concentrada em energia e não exige uma postura mais dura do Banco da Inglaterra, que anuncia sua decisão de juros na quinta-feira.
Na zona do euro, o Banco Central Europeu elevou os juros pela segunda vez no ano na semana passada. Os mercados ainda projetam outro aumento de 25 pontos-base até o fim de 2026, conforme dados da LSEG, mantendo pressão sobre empresas e consumidores que dependem de crédito.
Ações de tecnologia e mineração ajudam o fechamento
Entre os destaques corporativos, a incorporadora britânica Barratt Redrow disparou 11% após divulgar resultados. As mineradoras também avançaram com a valorização dos metais: Anglo American subiu 1,6% e Rio Tinto ganhou 1%.
O setor de tecnologia teve alta de 0,6%. A STMicroelectronics avançou 2,2% em Paris, enquanto a ASML ganhou 1,3% em Amsterdã. A Capgemini caiu 2,6%, destoando do segmento. Em Frankfurt, a Hochtief subiu cerca de 2,4%, em recuperação de ações ligadas à inteligência artificial.
Para quem investe, o próximo foco está na comunicação do Fed e no tom adotado pelo Banco da Inglaterra. Para consumidores e empresas, petróleo, gás, juros e câmbio continuarão determinando parte relevante dos custos. A combinação entre inflação persistente e política monetária mais restritiva pode limitar a melhora dos mercados, mesmo após a alta desta quarta-feira.
Impacto para a sociedade
A moderação do petróleo pode aliviar a pressão sobre combustíveis, energia e outros preços, embora o efeito para o consumidor dependa da duração desse movimento. A decisão do Fed também pode influenciar o dólar, o custo de financiamentos e os preços de produtos importados no Brasil.
