Bruno Stein, sócio da Galapagos, afirmou que os ETFs de renda fixa se tornaram a forma mais eficiente de investir em ativos tributáveis, à frente de alternativas tradicionais como Tesouro Direto e CDBs. A avaliação considera principalmente o custo dos impostos e a facilidade para comprar ou vender as cotas, em um mercado que teve forte expansão entre 2025 e 2026.
Por que os ETFs ganharam espaço na renda fixa
Os ETFs, fundos que acompanham uma carteira de ativos e têm suas cotas negociadas em bolsa, passaram a oferecer exposição a estratégias como Tesouro Selic, Tesouro IPCA+ e crédito privado. Dados da B3 mostram que o patrimônio líquido dos ETFs de renda fixa cresceu 300% entre 2025 e 2026.
Atualmente, há 71 fundos de índice dessa classe, com diferentes níveis de risco e composição. A expansão ocorre em um país no qual a renda fixa concentra grande parte dos investimentos, favorecida por juros elevados e pela preferência de muitos investidores por ativos considerados mais previsíveis.
O efeito da tributação sobre Tesouro e CDBs
A principal vantagem apontada por Stein está na estrutura de impostos. Os ETFs de renda fixa não têm IOF, cobrado em determinadas aplicações resgatadas em prazos curtos, nem o chamado come-cotas, mecanismo de antecipação semestral do Imposto de Renda presente em fundos tradicionais.
Além disso, a maioria dos ETFs de renda fixa voltados à pessoa física tem alíquota única de 15% de Imposto de Renda. Nos investimentos diretos em títulos de renda fixa, como CDBs e títulos públicos, a cobrança segue uma tabela regressiva: começa em 22,5% para aplicações de até 180 dias e chega a 15% somente em investimentos mantidos por mais de 721 dias.
Isso não significa que todos os ETFs tenham o mesmo risco ou resultado. A tributação é apenas um dos componentes da comparação, que também precisa considerar a composição do fundo, as taxas cobradas, a oscilação das cotas e o desempenho dos ativos que estão dentro da carteira.
Fim de isenções pode acelerar a migração
A competição é diferente quando se trata de produtos isentos de Imposto de Renda, como LCIs, LCAs, CRIs, CRAs e debêntures incentivadas. Nesses casos, um ETF tributado a 15% perde parte do atrativo para quem compara apenas o retorno líquido.
Stein avalia, porém, que uma eventual mudança nas regras de isenção poderia acelerar a entrada de recursos nos fundos de índice. Na visão do executivo, a indústria de ETFs pode alcançar R$ 1 trilhão até o fim de 2029; se os títulos hoje isentos passarem a pagar imposto, essa marca poderia ser antecipada em pelo menos um ano.
Liquidez é diferencial nos fundos de crédito
Outra vantagem destacada no evento foi a liquidez, especialmente nos ETFs que investem em crédito privado. Quem compra diretamente uma debênture ou outro título de crédito pode ter dificuldade para encontrar comprador e sair da posição quando o cenário econômico piora.
Como as cotas dos ETFs são negociadas em bolsa, o investidor pode enviar uma ordem de venda durante o pregão. Eduardo Arraes, sócio do BTG Pactual Asset Management, afirmou que essa possibilidade dá mais previsibilidade para quem se sente desconfortável com o risco de crédito.
O que observar antes da escolha
Para o investidor, o avanço dos ETFs amplia as alternativas para acessar renda fixa, mas não elimina a necessidade de comparar produtos. Tesouro Direto, CDBs e fundos de índice têm regras diferentes de tributação, liquidez, risco e custos.
O próximo passo da indústria dependerá tanto da adesão dos investidores quanto das discussões sobre a tributação dos ativos isentos. Qualquer mudança nesse campo pode alterar a comparação entre os produtos e redirecionar recursos dentro do mercado de renda fixa.
