As ações da Petrobras avançaram mais de 3% no pregão desta terça-feira (15), apoiadas pela disparada do petróleo no exterior e por dados preliminares que indicam recuperação da produção da estatal em agosto. A PETR3 subiu 3,63%, a R$ 56,23, enquanto a PETR4 ganhou 3,09%, a R$ 50,43, em uma reação que combina fatores externos e expectativas melhores para a operação da empresa.

Petróleo sobe após ataques afetarem oferta saudita

O principal impulso para os papéis veio do mercado internacional de petróleo. O Brent, referência para a Petrobras, avançou 2,9%, ou US$ 3,07, e fechou a US$ 108,75 por barril. Já o WTI, negociado em Nova York, subiu 4,38%, ou US$ 4,44, para US$ 105,83.

A alta ocorreu em meio à preocupação com a oferta da Arábia Saudita depois de novos ataques realizados por forças houthis, do Iêmen. O oleoduto Leste-Oeste do país chegou a ficar fora de operação nesta terça-feira, sem previsão para a conclusão dos reparos. Quando há risco de interrupção no fornecimento, os contratos futuros tendem a incorporar um prêmio, elevando as cotações.

Produção da Petrobras cresce 4% em agosto

O segundo fator veio dos dados preliminares da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A produção da Petrobras alcançou 2,92 milhões de barris por dia em agosto, alta de 4% em relação a julho.

O resultado foi influenciado pelo avanço de 5% na produção do campo de Búzios e pela recuperação de Itapu e Marlim. Um volume maior de petróleo produzido pode ampliar a geração de receita e diluir custos operacionais, embora ainda seja cedo para concluir que o patamar de agosto será mantido nos próximos meses.

Mercado vê espaço para crescimento até 2028

Analistas do Bradesco BBI avaliam que o mercado pode estar subestimando a capacidade de expansão da Petrobras. A leitura considera o desempenho do pré-sal, a entrada acelerada de novas plataformas e ganhos operacionais que têm ajudado a empresa a entregar resultados acima das expectativas.

Nas projeções citadas, a produção média da companhia poderá superar 2,8 milhões de barris por dia em 2027 e ultrapassar 3 milhões de barris diários em 2028. Esses níveis ficariam acima das estimativas atualmente embutidas nas projeções médias do mercado, criando espaço para revisões nas expectativas de resultados.

Acordo de GNL reduz exposição ao mercado à vista

A Petrobras também assinou um contrato de longo prazo para compra de gás natural liquefeito (GNL) com a Sempra Infrastructure, subsidiária norte-americana da Sempra. O acordo prevê o fornecimento de 0,8 milhão de toneladas por ano durante 20 anos.

O GNL será fornecido a partir do terminal de liquefação de Port Arthur, no Texas. Ao contratar parte do suprimento por prazo prolongado, a estatal busca reduzir sua exposição às oscilações do mercado à vista e melhorar o planejamento e a gestão de riscos de seu portfólio de gás natural.

O que o movimento representa para investidores e consumidores

A valorização das ações reflete uma combinação favorável no curto prazo: petróleo mais caro, recuperação da produção e perspectivas de crescimento operacional. Ainda assim, a cotação dos papéis continua sujeita a riscos, como novas mudanças na oferta global, variações nos preços da commodity e a capacidade de a Petrobras sustentar os níveis de produção projetados.

Para quem acompanha a empresa, os próximos dados de produção e os resultados operacionais serão importantes para confirmar se o avanço de agosto é pontual ou parte de uma trajetória mais duradoura. Para a economia, o petróleo acima de US$ 100 por barril mantém a atenção sobre combustíveis, custos logísticos e possíveis efeitos sobre a inflação, enquanto o acordo de GNL amplia a previsibilidade de uma parcela do abastecimento de gás.

Impacto para a sociedade

A alta do petróleo pode pressionar os preços de combustíveis e outros produtos ligados à energia, embora o movimento das ações não altere imediatamente os valores pagos pelos consumidores. Para a Petrobras, uma commodity mais cara tende a elevar a receita, mas também aumenta a sensibilidade da inflação e dos custos de transporte no Brasil.