As ações da LVMH acumulam queda de cerca de 55% desde 2023 e tiraram a companhia do grupo das dez maiores empresas de capital aberto da Europa pela primeira vez desde 2017. O recuo também ameaça fazer a dona da Louis Vuitton perder para a L’Oréal o posto de empresa mais valiosa da França, em uma mudança simbólica para o setor de luxo.
Queda de 2,6% reduz valor da gigante francesa
Os papéis da LVMH caíram 2,6% na terça-feira (15), levando a capitalização de mercado — o valor de todas as ações da empresa — a € 201 bilhões, ou US$ 232 bilhões. Com isso, a companhia ficou logo abaixo da L’Oréal no ranking francês.
A posição representa uma forte reversão em relação ao auge alcançado em 2023, quando a LVMH liderava a lista das empresas mais valiosas da Europa e suas ações chegaram a € 900 cada. Desde então, o valor de mercado foi pressionado pela redução da procura por produtos de luxo e pela piora das perspectivas para o segmento.
China deixa de sustentar o crescimento do luxo
O mercado chinês, considerado crucial para as marcas de luxo, passou a demonstrar menor demanda. Como consequência, investidores passaram a reavaliar o ritmo de expansão da LVMH e de outras empresas dependentes do consumo de clientes chineses.
O conflito no Oriente Médio também afetou mais recentemente os gastos em importantes centros comerciais. Para uma companhia com presença global, a combinação de menor consumo em regiões estratégicas reduz as vendas e aumenta a preocupação com os resultados futuros.
Louis Vuitton enfrenta reação de consumidores
A pressão foi agravada por uma reação negativa de consumidores na China contra a Louis Vuitton, marca mais lucrativa do conglomerado. O episódio está relacionado a uma disputa de marca registrada com uma empresa local de chá.
Além do efeito direto sobre a percepção da marca, situações desse tipo podem dificultar a recuperação das vendas em um mercado já enfraquecido. Várias corretoras reduziram suas classificações para a ação e também cortaram os preços-alvo, sinalizando expectativas mais cautelosas para o desempenho do grupo.
Tombo anual se aproxima de quedas históricas
Somente em 2026, as ações da LVMH recuaram cerca de 37%, devolvendo o preço aos níveis observados durante a pandemia, quando os lockdowns fecharam lojas em diversas partes do mundo. A queda acumulada agora tem magnitude semelhante à registrada durante a crise financeira global.
Esse movimento mostra como mudanças no consumo podem afetar rapidamente empresas consideradas referências em seus setores. Quando o mercado reduz as projeções de receita e lucro, o preço das ações tende a cair mesmo antes de uma deterioração completa aparecer nos balanços.
O que a perda de valor representa para investidores
A saída do top 10 europeu não altera, por si só, as operações da LVMH, mas evidencia a perda de prestígio da companhia entre os maiores ativos da região. A queda também reduz o patrimônio associado ao controlador Bernard Arnault, que deixou na semana passada a lista dos dez maiores patrimônios do mundo.
O próximo movimento dependerá da recuperação da demanda por artigos de luxo, especialmente na China, e da capacidade das principais marcas do grupo de preservar sua atratividade. Para quem acompanha o mercado, o caso reforça que ações de empresas líderes também podem sofrer perdas expressivas quando o ciclo de consumo muda e as expectativas de crescimento são revistas.
