Após o Ibovespa registrar queda na sessão anterior, o principal índice da Bolsa brasileira passou a subir nesta terça-feira, 15 de setembro, apoiado principalmente pela Petrobras. Às 11h50, o indicador avançava 0,12%, aos 185.724 pontos, enquanto os investidores monitoravam a alta do petróleo, o cenário político e a proximidade das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
Petrobras sustenta a recuperação do índice
As ações ordinárias da Petrobras subiam mais de 2%, acompanhando a valorização do petróleo no exterior. Como a estatal tem peso relevante na composição do Ibovespa, uma alta expressiva dos papéis pode ajudar o índice a avançar mesmo quando outras empresas importantes pressionam o mercado.
O Brent, referência internacional, subia 2,52%, a US$ 108,19 por barril, enquanto o WTI, usado como referência nos Estados Unidos, avançava 2,9%, a US$ 104,31. Os preços eram influenciados pelos riscos à oferta no Oriente Médio, incluindo a interrupção de um oleoduto saudita após um ataque com drones e as dificuldades de transporte pelo Estreito de Ormuz.
Novos ataques dos houthis contra a Arábia Saudita também mantinham elevada a percepção de risco. Para a Petrobras, o petróleo mais caro tende a favorecer a receita associada à produção, embora o efeito sobre os resultados dependa de outros fatores, como custos, câmbio e política de preços.
Vale recua e limita ganhos da Bolsa
Na direção oposta, as ações da Vale recuavam 0,83%. A queda da mineradora reduzia parte do impulso vindo da Petrobras e ajudava a explicar a alta moderada do índice, em vez de uma recuperação mais ampla entre as empresas de maior peso.
O dólar comercial operava perto da estabilidade, com leve alta, cotado a R$ 5,15. O câmbio era acompanhado em conjunto com os juros americanos e brasileiros, porque mudanças nos rendimentos dos títulos públicos podem alterar o fluxo de recursos entre mercados e influenciar a cotação da moeda.
Investidores aguardam Fed e Copom
O mercado opera em uma semana de elevada cautela antes das decisões do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, e do Copom, responsável por definir a taxa Selic no Brasil. Juros mais altos tendem a encarecer o crédito e aumentar a atratividade da renda fixa; juros mais baixos podem reduzir o custo de financiamentos e melhorar as condições para empresas e ações, mas também dependem das expectativas para a inflação.
Em Wall Street, os principais índices caíam antes da decisão americana. O Dow Jones recuava 0,96%, o S&P 500 perdia 0,56% e o Nasdaq baixava 0,82%. A alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos pressionava as ações, especialmente as de maior sensibilidade aos juros.
Dados domésticos reforçam o tom de cautela
No Brasil, o volume de vendas do comércio varejista caiu 0,8% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal. O resultado indica perda de ritmo da atividade no período e entra no conjunto de informações analisadas pelo mercado para avaliar a trajetória da economia e dos juros.
O ambiente político também permanece no radar. O Supremo Tribunal Federal analisa a possibilidade de abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, enquanto pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira aponta vantagem de sete pontos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno.
O que acompanhar no restante do pregão
O avanço do Ibovespa ainda é parcial e concentrado em Petrobras, enquanto Vale recua e as bolsas internacionais operam majoritariamente em baixa. A continuidade do movimento dependerá do comportamento do petróleo, do câmbio e da reação dos investidores às decisões de juros que serão anunciadas nos próximos dias.
Para quem investe, a sessão mostra como uma mudança nos preços de uma commodity pode afetar uma empresa de grande peso e, por consequência, o índice inteiro. Para consumidores e trabalhadores, petróleo, inflação e juros são os pontos mais relevantes: um choque prolongado de oferta pode encarecer energia e transporte, enquanto decisões do Copom e do Fed podem alterar crédito, financiamentos e aplicações financeiras.
Impacto para a sociedade
A alta do petróleo pode pressionar os custos de combustíveis e, se persistir, dificultar a queda da inflação no Brasil. As decisões do Copom e do Federal Reserve também influenciam juros, crédito, financiamento e o rendimento de aplicações de renda fixa, embora seus efeitos dependam das decisões anunciadas e da duração do choque externo.
