O Citi selecionou Petrobras (PETR3), BTG Pactual (BPAC11) e Embraer (EMBJ3) entre as ações capazes de atravessar diferentes cenários da eleição presidencial, dentro de uma carteira desenhada para reduzir oscilações. A estratégia ganha importância em um momento de disputa mais acirrada, no qual mudanças nas pesquisas podem alterar expectativas sobre juros, câmbio, atividade econômica e empresas beneficiadas por políticas públicas.
Como ficou a nova carteira de menor volatilidade
A seleção é chamada de carteira MVP, sigla em inglês para portfólio de volatilidade mínima. O objetivo é combinar empresas com fundamentos considerados resilientes e papéis que possam se beneficiar de diferentes desfechos políticos e econômicos, sem eliminar o risco próprio da renda variável.
Na atualização, deixaram a carteira Smart Fit, Itaú Unibanco, Bradesco Saúde, Motiva, Eneva e Cury. Entraram XP, negociada na Nasdaq e acessível no Brasil pelo BDR XPBR31, BTG Pactual, Hypera, EcoRodovias e Sabesp.
A composição passou a ter 13 ações:
- 5% cada: XP, BTG Pactual, Prio, Rede D’Or, Hypera e EcoRodovias;
- 10% cada: Multiplan, Embraer, Vale, Petrobras, Axia, Sabesp e Vivara.
O que Petrobras, BTG e Embraer representam
As três empresas ajudam a ilustrar a tentativa do banco de distribuir a exposição por setores e fatores diferentes. Petrobras e Vale oferecem presença em commodities e ativos reais; BTG representa o segmento financeiro; e Embraer acrescenta uma companhia industrial com atuação internacional. A lógica não depende de uma única tese para a Bolsa subir.
A Petrobras também aparece entre os papéis que podem funcionar como contrapeso em carteiras globais concentradas em tecnologia. O banco considera que a Bolsa brasileira, dominada por petróleo, mineração, bancos, energia e consumo tradicional, pode se beneficiar de um movimento de diversificação diante das avaliações elevadas associadas à inteligência artificial.
Como o resultado eleitoral pode mudar os vencedores
Em um cenário de continuidade do governo, o Citi vê maior espaço para empresas defensivas e companhias ligadas a políticas públicas, especialmente habitação popular e programas como o Minha Casa, Minha Vida. Nesse grupo, a tese depende mais da resiliência da receita e da capacidade de atravessar períodos de incerteza.
Se houver mudança de governo e o mercado antecipar uma trajetória fiscal mais favorável, os juros de longo prazo podem cair. Isso tende a beneficiar ações de maior duração, ou seja, empresas cujo valor depende mais de lucros e fluxos de caixa esperados no futuro. Como esses resultados são mais sensíveis à taxa de desconto, a queda dos juros pode elevar sua atratividade relativa.
Desempenho ficou abaixo do Ibovespa
Apesar da proposta de reduzir a volatilidade, a carteira MVP teve desempenho inferior ao índice de referência nos períodos apresentados. Nos 30 dias encerrados em 15 de setembro, subiu 8,6%, contra alta de 11,1% do Ibovespa. No acumulado do ano, avançou 7,4%, enquanto o índice ganhou 15,2%.
Desde a criação da estratégia, o retorno acumulado foi de 51,7%, ante 61,7% do Ibovespa. A carteira busca superar o índice em prazos mais longos, mas a composição defensiva pode ficar atrás quando o mercado favorece ações mais cíclicas ou de maior risco.
O que observar antes da eleição
O Citi combina análise de baixo para cima, baseada nos fundamentos de cada empresa, com fatores macroeconômicos e políticos. Assim, novas pesquisas, propostas fiscais e sinais sobre a trajetória dos juros podem alterar a preferência relativa entre setores, sem que isso represente garantia de desempenho.
Para o investidor, a principal implicação é que a carteira foi montada para lidar com mais de um cenário, e não para indicar uma única aposta eleitoral. Petrobras, BTG e Embraer aparecem nesse equilíbrio setorial, enquanto a reação dos ativos dependerá da percepção do mercado sobre inflação, contas públicas, juros e crescimento após cada novo evento da corrida presidencial.
