O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, depõe nesta terça-feira, 15 de setembro, diante do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, em uma audiência que deve ir além do tema oficial, o sistema financeiro internacional e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Parlamentares devem questioná-lo sobre petróleo, inflação, política do Federal Reserve, dívida pública e a agenda econômica do presidente Donald Trump.
Petróleo acima de US$ 100 aumenta pressão sobre o governo
A retomada da guerra contra o Irã elevou o petróleo para acima de US$ 100 por barril. Nos Estados Unidos, a gasolina alcançou preço médio de US$ 4,32 por galão na segunda-feira, alta de US$ 1,14, ou cerca de 36%, em relação a um ano antes. O diesel chegou a US$ 6,23, avanço de US$ 2,54, aproximadamente 69% na mesma comparação.
Democratas devem cobrar de Bessent explicações sobre o apoio do governo ao conflito e sobre os efeitos da alta dos combustíveis no custo de vida. O Tesouro intensificou sanções contra o Irã e bancos que ajudam o país a comercializar petróleo, enquanto o secretário deve defender que a força da economia americana permite ampliar o isolamento econômico de Teerã.
Inflação coloca Trump e o Fed em lados opostos
O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos subiu 3,4% em 12 meses, segundo o material preparado para a audiência. A combinação entre energia mais cara e inflação persistente levou investidores a apostar com força em uma alta dos juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano.
Trump, porém, tem defendido cortes de juros, e não aumentos, para reduzir o custo do crédito e estimular a economia. Bessent é amigo de longa data de Kevin Warsh, presidente do Fed, e se reúne semanalmente com o dirigente por tradição institucional. A proximidade pode aumentar o interesse dos parlamentares sobre a independência da política monetária.
Dívida de US$ 40 trilhões encarece o financiamento
A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões. A grande oferta de títulos do governo, combinada aos gastos ligados à inteligência artificial e ao petróleo mais caro, elevou o custo para financiar essa dívida.
O rendimento do título do Tesouro americano de dez anos chegou brevemente a 5% na segunda-feira, antes de recuar. Esse retorno também reflete o otimismo de parte dos investidores com o crescimento econômico, mas juros mais altos tendem a encarecer hipotecas, empréstimos corporativos e outros financiamentos. A taxa média de uma hipoteca fixa de 30 anos passou de 7% na semana passada.
Governo deve destacar emprego, salários e impostos
Republicanos e Bessent devem usar a audiência para ressaltar os sinais positivos da economia de Trump. A taxa de desemprego está em 4,1%, enquanto as ações permanecem próximas das máximas, apesar da volatilidade recente. O índice S&P 500 acumula alta de aproximadamente 27% desde o início do segundo mandato de Trump.
O depoimento preparado pelo secretário também afirma que os salários dos 25% de trabalhadores com menor renda cresceram mais rapidamente que os do grupo de maior renda. Além disso, mais de 64 milhões de declarações de imposto de renda já reivindicaram uma das reduções tributárias aprovadas no ano passado.
O que a audiência pode sinalizar para os mercados
Embora o foco formal seja a supervisão do FMI, Bessent deve defender que os recursos e o tempo dos Estados Unidos sejam usados prioritariamente em favor dos interesses americanos. Ele também deve apresentar como resultado da política externa a capacidade de aplicar sanções ao Irã sem, na visão do governo, comprometer o desempenho econômico.
Para investidores e consumidores, o ponto central será saber como a administração pretende conciliar combustíveis mais caros, inflação elevada, pressão por juros menores e uma dívida crescente. Uma alta prolongada dos juros americanos pode fortalecer o dólar e elevar o custo de captação global, enquanto o petróleo mais caro tende a pressionar combustíveis, transporte e preços no Brasil. A audiência pode ajudar a esclarecer os próximos passos do governo, mas as decisões efetivas dependerão do Fed, da trajetória da inflação e da evolução do conflito no Oriente Médio.
Impacto para a sociedade
A alta do petróleo pode encarecer combustíveis e pressionar a inflação em vários países, inclusive no Brasil. As decisões do Federal Reserve também influenciam o dólar, os juros e o custo de financiamentos, enquanto o ambiente internacional pode afetar emprego, consumo e preços por aqui.
