A tokenização de ativos financeiros rendeu, em média, 18,62% ao ano no Brasil, acima do maior nível recente da Selic, de 15% ao ano. O cálculo considera 5.182 projetos registrados em blockchain, que captaram juntos R$ 10,88 bilhões, e mostra o avanço de ofertas digitais de produtos como debêntures e recebíveis.

Retorno médio ficou acima do CDI e da Selic

Os ativos analisados foram oferecidos em blockchain, em vez de utilizar apenas a estrutura tradicional do mercado de capitais. Na prática, a tecnologia registra e organiza a propriedade e as regras de cada operação, enquanto o investidor recebe uma remuneração definida pelo produto.

O retorno médio de 18,62% supera o pico de 15% da Selic, observado entre julho de 2025 e fevereiro de 2026. Como o CDI, principal referência da renda fixa, acompanha de perto a taxa básica, a maior parte das ofertas também ficou acima desse parâmetro no período analisado.

Maioria dos tokens pagou entre 15% e 24% ao ano

A distribuição dos resultados mostra que 43% dos tokens emitidos no país ofereceram taxas entre 15% e 18% ao ano. Outros 25% ficaram na faixa de 18% a 21%, enquanto 19% remuneraram os investidores entre 21% e 24% ao ano.

Somadas, essas três faixas representam 87% dos projetos, com retornos entre 15% e 24% anuais. Os produtos prefixados são maioria, mas também existem operações ligadas ao CDI, ao IPCA, índice oficial de inflação, e ao dólar. A média, portanto, reúne estruturas e formas de remuneração diferentes.

Seguros lideram ranking por setor

O setor de seguros apresentou o maior retorno médio entre as categorias avaliadas, com 26,8% ao ano. Na sequência aparecem sustentabilidade, com 25%, e eletromobilidade, com 20%.

O setor financeiro registrou média de 18,8%, enquanto tecnologia e logística tiveram 18,3% cada. Agricultura ficou em 17,7%, e saúde, em 17%. A diferença entre as áreas indica que o retorno não depende apenas da tecnologia usada para registrar o ativo, mas também do tipo de projeto e da atividade financiada.

Captação semanal cresceu mesmo com menos ofertas

Entre 8 e 14 de setembro, as ofertas tokenizadas captaram R$ 9,48 milhões, alta de 70,8% em relação à semana anterior. Desse total, R$ 6,29 milhões vieram de operações enquadradas na Resolução CVM 88.

A norma da Comissão de Valores Mobiliários permite que tokens de ativos reais sejam ofertados dentro do regime de dispensa criado para captações por meio de crowdfunding. Mesmo com o avanço dos recursos, o número de tokens que receberam aportes caiu de 23 para 13, sinal de concentração em menos operações.

O que os números indicam para investidores

Desde o início da série histórica, há 230 semanas, as ofertas que seguem a Resolução CVM 88 captaram R$ 2,6 bilhões, média de R$ 11 milhões por semana. O dado semanal mais recente ficou abaixo dessa média, embora tenha mostrado forte crescimento frente ao período imediatamente anterior.

Para quem acompanha investimentos, o resultado evidencia a expansão de uma alternativa de crédito privado com remuneração média elevada. A taxa anunciada, porém, varia conforme cada projeto, prazo, indexador e estrutura de pagamento; por isso, a média dos 5.182 ativos não representa retorno garantido para todas as ofertas. O próximo passo será observar se o volume captado e a quantidade de operações continuarão avançando nas semanas seguintes.