A confiança da indústria permaneceu em território pessimista pelo 21º mês consecutivo em setembro, no período mais longo já registrado pela série da Confederação Nacional da Indústria (CNI), iniciada em 2015. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) caiu 1,4 ponto, de 46,3 para 44,9 pontos, uma redução de cerca de 3%, mantendo-se abaixo da marca de 50 pontos que separa confiança de pessimismo.
Queda atingiu avaliação do presente e expectativas
O recuo do Icei foi disseminado entre seus componentes, indicando que a piora não ficou restrita à percepção sobre o momento atual nem apenas às projeções para os próximos meses. Para a CNI, as oscilações positivas observadas em alguns períodos de 2026 foram pontuais e não alteraram o quadro geral de desconfiança.
“Essa queda foi generalizada, verificada em todos os componentes do índice, tanto a avaliação das condições correntes quanto as expectativas”, afirmou Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, em nota.
Percepção sobre a economia brasileira pesa no resultado
O Índice de Condições Atuais recuou 2,5 pontos em setembro, de 42,7 para 40,2 pontos, queda de aproximadamente 5,9%. Dentro desse componente, a avaliação da situação econômica do país caiu 3,6 pontos, de 36,6 para 33 pontos, redução próxima de 9,8% e o pior desempenho entre os principais indicadores apresentados.
A percepção sobre as próprias empresas também piorou. O indicador caiu 1,9 ponto, de 45,7 para 43,8 pontos, retração de cerca de 4,2%. Como todos esses índices ficaram abaixo de 50 pontos, os empresários demonstraram uma visão negativa tanto sobre as condições gerais quanto sobre o ambiente específico de seus negócios.
Empresários também reduziram otimismo com os próximos meses
O Índice de Expectativas passou de 48,1 para 47,2 pontos, queda de 0,9 ponto, ou cerca de 1,9%. O resultado mostra que as perspectivas para o curto prazo continuam no campo pessimista, ainda que a deterioração tenha sido menor do que na avaliação das condições atuais.
A expectativa para a economia brasileira recuou de 39,7 para 39,1 pontos, baixa de aproximadamente 1,5%. Já a projeção para o desempenho das próprias empresas caiu 1 ponto, de 52,3 para 51,3 pontos, redução de cerca de 1,9%. Esse último indicador ainda ficou acima de 50 pontos, mas perdeu parte da margem positiva registrada anteriormente.
O que a confiança baixa sinaliza para a atividade
Índices de confiança não medem diretamente a produção, o emprego ou o investimento, mas ajudam a indicar como as empresas estão planejando suas decisões. Quando a avaliação sobre a economia e os negócios se deteriora, companhias tendem a agir com mais cautela em expansão, contratação e compras de máquinas e equipamentos.
Esse mecanismo pode enfraquecer a recuperação da atividade industrial porque decisões empresariais dependem não apenas da demanda atual, mas também da expectativa de vendas e custos nos meses seguintes. O resultado de setembro, portanto, reforça a percepção de um ambiente ainda pouco favorável para uma melhora consistente do setor.
Pesquisa ouviu 1.186 empresas em setembro
A edição de setembro do Icei foi realizada entre os dias 1º e 8 de setembro de 2026, com 1.186 empresas industriais. A amostra reuniu 475 pequenas empresas, 441 médias e 270 grandes companhias, permitindo captar a percepção de diferentes portes do setor.
Para quem acompanha a economia, o próximo ponto de atenção é saber se a sequência de 21 meses abaixo de 50 pontos continuará acompanhada por perda de atividade ou se haverá melhora nas expectativas. Por enquanto, os dados mostram que a indústria segue cautelosa, com a avaliação da economia brasileira como principal foco de preocupação.
