A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 1,548 bilhão na segunda semana de setembro, com exportações de US$ 7,034 bilhões e importações de US$ 5,486 bilhões. Com o resultado, o saldo positivo acumulado no mês chegou a US$ 3,356 bilhões, em um momento de forte avanço das vendas externas, especialmente da indústria extrativa.
Exportações crescem quase três vezes mais que as importações
Até a segunda semana de setembro, as exportações aumentaram 28,5% em relação ao mesmo período de 2025. Já as importações avançaram 9,5% na mesma comparação. A diferença entre os ritmos de crescimento explica a ampliação do saldo comercial no período.
O desempenho das exportações foi liderado pela indústria extrativa, cujas vendas chegaram a US$ 4,188 bilhões, alta de 70,5% ante o mesmo intervalo do ano passado. A indústria de transformação exportou US$ 7,140 bilhões, crescimento de 17%, enquanto a agropecuária somou US$ 2,831 bilhões, avanço de 16,5%.
Indústria extrativa concentra maior avanço das vendas externas
Os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que o aumento das exportações não ficou restrito ao agronegócio. O salto da indústria extrativa foi o principal destaque entre os setores, com alta superior à observada nas demais áreas.
Nas importações, a indústria de transformação respondeu por US$ 10,169 bilhões no período, alta de 9,2%. As compras externas da agropecuária alcançaram US$ 197,2 milhões, crescimento de 13,7%, e as da indústria extrativa somaram US$ 465,2 milhões, aumento de 13,5%.
Como o saldo comercial afeta a economia
O superávit comercial é obtido quando o país exporta mais bens do que importa. As exportações trazem receitas em moeda estrangeira, enquanto as importações representam pagamentos ao exterior. Quando o resultado é positivo, há uma entrada líquida de recursos relacionada ao comércio de mercadorias.
Esse indicador ajuda a medir a relação do Brasil com o comércio internacional, mas não determina sozinho o comportamento do câmbio ou da economia. Outros fluxos, como investimentos e remessas financeiras, também influenciam a oferta e a procura por moeda estrangeira. Ainda assim, um saldo comercial elevado contribui para reduzir a necessidade de financiar as compras externas com recursos de outras fontes.
Saldo acumulado no ano sobe 36,9%
De janeiro até a segunda semana de setembro, o Brasil acumulou superávit de US$ 58,674 bilhões. O resultado representa crescimento de 36,9% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo positivo era de US$ 46,300 bilhões.
A diferença entre os dois períodos equivale a US$ 12,374 bilhões. O desempenho acumulado reforça a distância entre o crescimento das exportações e o das importações observado no início de setembro, embora os dados divulgados correspondam apenas à segunda semana do mês.
Projeção do MDIC aponta saldo de US$ 90 bilhões
Para todo o ano de 2026, o MDIC projeta superávit comercial de US$ 90 bilhões, alta de 32,3% em comparação com 2025. A estimativa considera exportações de US$ 394,4 bilhões e importações de US$ 304,4 bilhões.
Para quem acompanha a economia, os próximos dados mostrarão se o ritmo registrado até setembro será mantido e se a diferença entre exportações e importações continuará ampliando o saldo anual. Para empresas e trabalhadores ligados aos setores exportadores, a evolução das vendas externas permanece relevante; para os demais agentes, o indicador funciona como um termômetro das transações do país com o exterior.
