O Itaú BBA manteve a recomendação outperform, equivalente à compra, para as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4), com preço-alvo de R$ 63 e potencial de valorização de cerca de 29% ante os níveis atuais. A avaliação preserva uma visão positiva sobre a companhia mesmo após novos questionamentos sobre sua política de preços e sua autonomia diante das decisões do governo.

Petróleo acima de US$ 100 sustenta a avaliação

Em relatório semanal, o banco aponta que a Petrobras concentrou 55% das interações com investidores sobre o setor na última semana. O principal assunto foi o anúncio de um aumento da gasolina, revertido poucas horas depois e sem explicações adicionais, movimento que reacendeu preocupações sobre governança e sobre o processo de tomada de decisão da estatal.

O cenário operacional, porém, continua favorável. O Brent, referência internacional para o petróleo, avançou para níveis acima de US$ 100 por barril. Como a commodity é vendida em um mercado global, cotações maiores elevam a geração de caixa de empresas produtoras, embora também aumentem a pressão sobre os preços dos combustíveis no mercado doméstico.

Defasagem abre espaço para novos reajustes

O Itaú BBA também avalia que a Petrobras pode se beneficiar das medidas anunciadas pelo governo para o diesel. O banco vê espaço para um reajuste futuro do combustível, o que funcionaria como um possível gatilho para revisões positivas nas projeções de lucro de curto prazo.

A defasagem de preços, diferença entre o valor cobrado no Brasil e uma referência alinhada às cotações internacionais, estaria em aproximadamente 11% na gasolina e 32% no diesel. Se essa diferença for reduzida, a receita da Petrobras tende a melhorar; por outro lado, o repasse pode elevar custos para consumidores, transportadoras e empresas que dependem do diesel.

PRIO acompanha valorização da commodity

A PRIO (PRIO3) respondeu por 10% das conversas com investidores e superou a Petrobras em desempenho relativo na última semana, favorecida pelo ambiente de petróleo mais caro. A empresa produz aproximadamente 173 mil barris por dia neste mês, ritmo afetado por uma parada parcial programada para manutenção no sistema de resfriamento da plataforma de Albacora Leste.

Mesmo com a possibilidade de manutenção por mais tempo do imposto sobre a exportação de petróleo, em razão das tensões geopolíticas e das medidas para combustíveis, o banco manteve recomendação equivalente à compra para a PRIO, com preço-alvo de R$ 73. O imposto pode reduzir parte do ganho obtido com preços internacionais mais altos.

Distribuidoras enfrentam efeitos opostos

As distribuidoras responderam por 28% das discussões com investidores. O aumento dos subsídios ao diesel importado pode beneficiar empresas com presença relevante na importação, ao melhorar sua competitividade. Ao mesmo tempo, a medida pode atrair mais importadores independentes, elevando a concorrência e pressionando as margens.

Nesse cenário, o Itaú BBA vê a Ultrapar (UGPA3) com desempenho superior ao da Vibra (VBBR3), em parte pela percepção de que a Ipiranga capturaria mais benefícios dos incentivos à importação. Para a Vibra, o debate principal envolve o nível das margens no terceiro e no quarto trimestres e ao longo de 2027.

O que observar nas ações e nos combustíveis

O banco manteve recomendação equivalente à compra para Petrobras, PRIO, Vibra, Ultrapar, OceanPact e Compass. Para a PetroReconcavo, a classificação segue neutra. Essas avaliações dependem da trajetória do petróleo, da política de preços da Petrobras, das regras para o diesel e da duração das tensões geopolíticas.

Para quem investe, os próximos sinais relevantes são eventuais reajustes dos combustíveis, mudanças nos subsídios e a evolução das margens das distribuidoras. Para consumidores e empresas, a mesma combinação pode aparecer no preço da gasolina, do diesel, do frete e de outros produtos transportados por rodovias, ainda que decisões corporativas e governamentais possam alterar a velocidade desse repasse.

Impacto para a sociedade

A alta do petróleo e possíveis reajustes nos preços domésticos podem afetar o custo da gasolina e do diesel, com reflexos no transporte e nos preços de produtos. As novas medidas do governo para o diesel também podem alterar a concorrência entre distribuidoras e importadores, influenciando margens e preços ao consumidor.