A união entre Petz e Cobasi formou uma operação com faturamento combinado projetado em R$ 7,7 bilhões para 2025 e uma rede de 520 lojas. O grupo reúne cerca de 15 mil funcionários e pretende acelerar o crescimento em serviços veterinários, planos de saúde para animais e marcas próprias, além de capturar ganhos com a integração das duas empresas.
Escala amplia poder de operação e negociação
A companhia resultante da fusão está presente em 124 municípios e combina as redes que antes competiam diretamente no mercado brasileiro de produtos e serviços para animais de estimação. A maior escala pode reduzir custos por meio da unificação de sistemas, da reorganização logística e de negociações conjuntas com fornecedores.
Cerca de 90% das renegociações comerciais previstas já foram concluídas. A expectativa é que os primeiros efeitos financeiros dessas iniciativas comecem a aparecer a partir do terceiro trimestre de 2026. A expansão, portanto, depende não apenas do tamanho da nova empresa, mas da capacidade de transformar a sobreposição das operações em eficiência.
Integração das equipes é o principal desafio
O diretor-presidente do grupo, Paulo Urbano Nassar, afirmou que a preservação do ambiente de trabalho e a integração entre as equipes estão entre os pontos mais delicados do processo. As empresas têm culturas e formas de operar próprias, e uma fusão pode perder parte dos ganhos esperados se provocar saída de funcionários ou queda na qualidade do atendimento.
A combinação também exige harmonizar sistemas, processos de loja, logística e políticas comerciais. O grupo pretende avançar nessa integração sem comprometer a experiência dos consumidores, em uma operação que soma centenas de unidades físicas e uma estrutura digital já relevante.
Canal digital e saúde animal sustentam expansão
As vendas digitais representam aproximadamente 40% do faturamento da companhia. Mais de 95% dos pedidos feitos no comércio eletrônico são atendidos diretamente pela rede de lojas físicas, modelo que aproxima os estoques dos clientes e permite usar as unidades como pontos de distribuição.
Outra frente considerada estratégica é a saúde animal. A empresa reúne centros de estética, unidades veterinárias e hospitais para atendimentos de maior complexidade. Também planeja levar o plano de saúde pet Seres, criado pela Petz, para toda a rede combinada. O grupo mapeou ainda espaço para abrir cem novos pontos de venda nos próximos anos.
Marcas próprias podem elevar a rentabilidade
Além de ampliar serviços, a companhia aposta em produtos de marcas próprias. Esse tipo de mercadoria pode dar ao varejista maior controle sobre preço, diferenciação e margem, embora também exija gestão de estoque, qualidade e aceitação do consumidor. A estratégia será combinada à expansão da presença em categorias ligadas à saúde e ao bem-estar animal.
Para Nassar, a demanda do setor tem uma característica diferente da observada em segmentos tradicionais do varejo: o vínculo afetivo com os animais tende a sustentar o consumo de produtos e serviços mesmo em momentos de maior cautela. Essa percepção embasa a avaliação de que a área de saúde animal ainda está em estágio inicial no país.
O que observar na nova companhia
Para quem acompanha a empresa listada sob o código AUAU3, os principais pontos a monitorar são a captura efetiva das sinergias, o ritmo de expansão e a evolução das vendas digitais e de serviços. A projeção de R$ 7,7 bilhões se refere ao faturamento combinado de 2025, enquanto os ganhos de integração deverão aparecer gradualmente a partir de 2026.
O desempenho futuro dependerá de a companhia preservar o atendimento durante a unificação e transformar a escala em resultados operacionais. Para consumidores e trabalhadores, a fusão pode significar uma rede mais ampla de produtos e serviços e novas oportunidades de expansão, mas os efeitos concretos dependerão da execução do plano e da integração das equipes.
