As mulheres ocupam apenas 5,2% dos cargos de presidente-executivo (CEO) nas maiores empresas brasileiras, mostra o estudo Women at the Top 2026, do Evermonte Institute. Além da baixa presença no comando, as executivas que chegam ao topo acumulam mais MBAs, pós-graduações e passagens por empresas do que os homens, embora levem praticamente o mesmo tempo para alcançar a posição.
Executivas acumulam quase o dobro de pós-graduações
As mulheres analisadas pelo levantamento têm, em média, 2,79 MBAs e pós-graduações, contra 1,43 entre os homens. Isso significa que a formação adicional aparece como uma exigência muito mais frequente na trajetória feminina até a presidência das companhias.
O estudo identifica uma diferença semelhante na experiência profissional. As executivas passaram, em média, por 5,12 empresas ao longo da carreira, enquanto os homens acumularam trajetórias em 3,79 companhias. A maior mobilidade pode indicar a necessidade de buscar oportunidades em diferentes organizações e de adaptar-se a ambientes variados para avançar.
Tempo de carreira é parecido, apesar das exigências extras
A distância entre homens e mulheres não aparece no tempo necessário para chegar ao cargo. As executivas alcançam a posição de CEO após uma média de 18,32 anos de carreira. Entre os homens, o prazo é de 18,49 anos.
A proximidade dos números reforça o contraste apontado pelo levantamento: em um período praticamente igual, as mulheres precisam reunir mais credenciais acadêmicas e experiência em um número maior de empresas. Para Priscila Schapke, sócia e headhunter da Evermonte Executive & Board Search, essa é uma “assimetria silenciosa” do ambiente corporativo.
Participação brasileira está próxima da média global
O percentual de 5,2% no Brasil é próximo do cenário internacional citado no estudo, em que as mulheres representam cerca de 6% dos CEOs. Mesmo com avanços na presença feminina em posições de liderança, a presidência das empresas continua sendo uma exceção para elas.
O dado também mostra que o problema não se resume à qualificação individual. Se a formação e a experiência adicionais fossem suficientes, a proporção de mulheres no comando seria maior. O acesso a projetos estratégicos, promoções e posições com responsabilidade sobre resultados também influencia quem é considerado preparado para assumir a presidência.
Finanças e operações são os principais caminhos
Entre as executivas que chegaram ao cargo, Finanças aparece em 24,76% das trajetórias. Na sequência estão Negócios, com 21,9%, e Operações, com 20%. Juntas, as três áreas reúnem mais de dois terços dos perfis analisados.
A concentração indica que experiências ligadas a controle financeiro, estratégia, receita e execução operacional são recorrentes entre as mulheres que alcançam o comando. Essas funções costumam oferecer contato direto com indicadores de desempenho e decisões relevantes para o negócio.
Empresas precisam transformar diversidade em objetivo
Para Cristine Grings Nogueira, que deixou a presidência da Piccadilly Company no início de junho após dez anos no cargo, é necessário criar oportunidades para que mais mulheres possam demonstrar capacidade e desenvolver-se em posições de maior responsabilidade.
Carla Patrícia Cabral da Fonseca, CEO da Smiles, afirma que o avanço não depende apenas de iniciativas isoladas. Na avaliação dela, o CEO e a área de Gente & Cultura precisam tratar o tema como uma missão da empresa, identificar setores com espaço para evolução e incorporar a mudança à cultura corporativa.
Para quem trabalha ou acompanha empresas, o levantamento sugere que a diversidade na liderança depende menos de novas exigências individuais e mais de mudanças nos critérios de seleção e desenvolvimento. O próximo passo é ampliar as oportunidades de exposição e promoção antes da escolha para a cadeira de CEO.
