O alívio nas expectativas para os juros ajudou o Assaí (ASAI3) a subir 8,15% entre 7 e 11 de setembro, enquanto a Direcional (DIRR3) registrou a pior queda do Ibovespa na semana, de 8,64%, após um banco reduzir o preço-alvo da incorporadora. O movimento ocorreu em uma semana de alta para o índice, que avançou 1,11% e acumulou a terceira valorização semanal consecutiva.
Ibovespa avança com juros e eleições no radar
O desempenho positivo da bolsa ocorreu enquanto investidores ajustavam posições antes das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. No cenário doméstico, a expectativa predominante é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a Selic em 0,25 ponto percentual na quarta-feira (16), levando a taxa para 13,75% ao ano.
Parte dos bancos e casas de análise projeta novos cortes até o fim do ano, com algumas estimativas indicando uma taxa terminal de 13,25%. Ao mesmo tempo, pesquisas eleitorais mais acirradas, com empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula em uma eventual disputa de segundo turno, levaram o mercado a considerar uma possível troca de governo em 2027.
Por que a expectativa de juros menores favoreceu o Assaí
A curva de juros futuros, que reúne as taxas negociadas para períodos adiante, passou a refletir essas expectativas de cortes e mudanças políticas. Quando os juros projetados recuam, ações de empresas ligadas ao consumo tendem a ser favorecidas, porque o crédito pode ficar menos caro e a renda disponível das famílias pode melhorar.
Além disso, a queda das taxas reduz o retorno relativo de aplicações de renda fixa e diminui o valor usado pelo mercado para trazer lucros futuros a preços de hoje. Esse conjunto de fatores ajudou o Assaí, cuja ação chegou a subir 7,17% apenas na quinta-feira (10). Na sequência dos maiores ganhos semanais vieram Prio (6,65%) e Petrobras (PETR3), com alta de 4,83%.
Direcional sofre com revisão de preço-alvo
Na ponta negativa, o JPMorgan revisou sua tese para as incorporadoras diante do cenário eleitoral e reduziu o preço-alvo da Direcional de R$ 19 para R$ 17,50, com referência para dezembro de 2027. Mesmo com o corte, o banco manteve recomendação de compra para Direcional, Tenda (TEND3) e Cury (CURY3).
O banco afirmou que uma eventual mudança de governo poderia melhorar a percepção sobre empresas voltadas às faixas de média e alta renda, mas não espera medidas para prejudicar o Minha Casa, Minha Vida. A avaliação é de que uma nova administração poderia fazer atualizações menos frequentes no programa do que a gestão atual. Tenda caiu 7,28% na semana, enquanto Cury recuou 4,19%.
Outras ações que se destacaram no período
Entre as maiores altas, CSN avançou 4,72%, Minerva subiu 4,56%, Fleury ganhou 4,41% e Metalúrgica Gerdau teve alta de 4,12%. Petrobras (PETR4) avançou 4,01%, Bradesco subiu 3,85% e MRV ganhou 3,42%.
Além da Direcional e das incorporadoras, Hapvida caiu 7,30%, Azzas recuou 7,12% e Vamos perdeu 6,57%. BB Seguridade, Natura e Totvs também terminaram a semana em baixa, com quedas de 6,31%, 5,88% e 4,52%, respectivamente.
O que observar no Copom e nos próximos pregões
A decisão de 16 de setembro será o principal evento para a bolsa no curto prazo. Um corte de 0,25 ponto percentual já é amplamente esperado, mas a comunicação do Banco Central sobre os próximos passos poderá alterar a curva de juros e, por consequência, o desempenho de ações mais sensíveis ao crédito e ao consumo.
Para quem investe, a semana mostrou como juros, eleições e revisões de analistas podem produzir efeitos diferentes dentro do mesmo índice. Para consumidores e trabalhadores, juros menores podem favorecer o crédito gradualmente, embora reduzam a remuneração de novas aplicações de renda fixa; a intensidade desse efeito dependerá dos próximos dados econômicos e do cenário fiscal e eleitoral.
Impacto para a sociedade
A expectativa de queda da Selic pode reduzir o custo do crédito para consumidores e empresas, mas também tende a diminuir a remuneração oferecida por aplicações de renda fixa. A decisão do Banco Central, prevista para 16 de setembro, pode influenciar parcelas, consumo e investimentos nos próximos meses.
