As bolsas de Nova York subiram nesta sexta-feira (11), apoiadas pela queda do petróleo e por uma trégua nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, mas terminaram a semana em baixa. O movimento ocorreu enquanto investidores aumentavam a aposta de que o Federal Reserve (Fed) poderá elevar os juros na reunião da próxima semana após novos dados de inflação.

Índices recuperam parte das perdas no pregão

O Dow Jones avançou 0,98%, aos 52.572,91 pontos. O S&P 500 subiu 0,86%, para 7.656,95 pontos, enquanto o Nasdaq, concentrado em empresas de tecnologia, ganhou 0,96%, aos 26.333,04 pontos.

Apesar da alta no último pregão, os três índices acumularam perdas na semana. O Dow Jones recuou 1,57%, o S&P 500 caiu 0,79% e o Nasdaq teve baixa de 0,65%. A pressão veio principalmente dos juros dos títulos americanos e do petróleo, que haviam disparado diante da escalada das tensões no Oriente Médio.

Queda do petróleo reduz pressão sobre os mercados

O petróleo Brent para novembro, negociado em Londres, caiu 2,81% nesta sexta-feira, a US$ 104,61 por barril, em um movimento de correção após a alta de 6% registrada na véspera. Mesmo com o recuo do dia, a commodity continuou influenciada pelos riscos à circulação de navios no Mar Vermelho.

Os houthis avançaram sobre a ilha de Perim, no estreito de Bab al-Mandeb, e também tomaram Dhubab, segundo as informações disponíveis. Em resposta, mais de 100 conselheiros militares dos Estados Unidos estão na Arábia Saudita, prestando apoio de inteligência e planejamento estratégico contra o grupo.

Quando o petróleo sobe, aumenta o risco de pressão sobre combustíveis, transporte e inflação. A queda desta sexta-feira reduziu parte desse temor e ajudou as bolsas, pois também diminuiu a preocupação com uma política monetária americana ainda mais restritiva.

Inflação reforça expectativa de alta dos juros

O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos (CPI) subiu 0,4% em agosto, depois de alta de 0,1% em junho. Em 12 meses, a inflação chegou a 3,4%, em linha com as estimativas, mas ainda acima da meta de 2% perseguida pelo Fed.

O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3% no mês e acumulou alta de 2,4% em um ano, ligeiramente acima do esperado. A gasolina subiu 3,9% em agosto, respondendo por mais de um terço da alta mensal total, enquanto o índice de energia aumentou 2,1%.

Para o C6 Bank, a combinação de inflação persistente, atividade econômica sólida e mercado de trabalho resistente deve levar o Fed a elevar os juros na próxima semana. A ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava probabilidade de 86,5% para uma alta.

Ações de tecnologia lideram recuperação

Nove dos 11 setores do S&P 500 terminaram o pregão no positivo. O setor de serviços de comunicação subiu 1,3%, enquanto Hewlett Packard Enterprise e Dell avançaram 12% cada. No Dow Jones, Cisco Systems ganhou 4,3% e Caterpillar subiu 1,6%.

Na ponta negativa, UnitedHealth caiu 2,3%, Amgen recuou 1,3% e Johnson & Johnson perdeu 0,2%. A reação mostra que, em um dia de alívio nos juros longos e no petróleo, investidores voltaram a buscar ações mais sensíveis às condições financeiras, sem eliminar a cautela com a próxima decisão do Fed.

O que observar na próxima semana

Além da decisão do Fed, o mercado deverá acompanhar os sinais sobre a trajetória da inflação e os rendimentos dos Treasuries, títulos públicos dos Estados Unidos. Juros mais altos por mais tempo tendem a encarecer o crédito, reduzir o valor presente dos lucros futuros das empresas e favorecer investimentos de renda fixa em dólar.

Também permanece no radar a promessa do presidente Donald Trump de pagar US$ 5 mil a cada adulto americano caso os republicanos conquistem maioria nas eleições de meio de mandato. As estimativas indicam custo superior a US$ 1 trilhão, o que alimentou dúvidas sobre o impacto fiscal, embora o secretário de Comércio, Howard Lutnick, tenha afirmado que os cheques não usariam dinheiro de impostos.

Para quem investe ou acompanha a economia brasileira, a combinação entre petróleo, juros americanos e dólar pode influenciar inflação, combustíveis e ativos locais. O próximo passo será entender se o Fed confirmará a alta esperada e como seus dirigentes descreverão o ritmo dos juros nas reuniões seguintes.

Impacto para a sociedade

A alta do petróleo pode encarecer combustíveis, transporte e produtos no Brasil se o movimento persistir, além de pressionar a inflação. Já uma eventual alta de juros nos Estados Unidos pode fortalecer o dólar e elevar o custo de financiamentos e importações, embora os efeitos dependam também do câmbio brasileiro e das decisões do Banco Central.