O dólar à vista fechou a R$ 5,1254 nesta sexta-feira (11), com alta de 0,44%, enquanto o Ibovespa terminou aos 187.206,89 pontos, em queda de 0,56%. A sessão foi marcada pelo aumento do risco político no Brasil e pela repercussão dos dados de inflação, embora o índice de ações ainda tenha acumulado alta de 1,11% na semana e a moeda tenha recuado 0,11% no período.

Risco político pressionou câmbio e bolsa

A piora dos ativos brasileiros ganhou força depois de o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinar que o ministro André Mendonça retire, em 24 horas, o sigilo de todos os documentos das investigações do caso Master.

O mercado teme que a divulgação traga novas informações sobre o escândalo envolvendo o caso Dark Horse e atinja o senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em pesquisas recentes. A possibilidade de mudanças no cenário eleitoral levou investidores a buscar proteção em dólar antes do fim de semana, especialmente diante da expectativa pela nova pesquisa Datafolha.

Blue chips devolvem parte dos ganhos

Entre as ações do Ibovespa, a maior alta foi da Minerva (BEEF3), que avançou 3,77%, para R$ 4,13. Na ponta negativa, Hapvida (HAPV3) caiu 8,06%, para R$ 6,73.

As chamadas blue chips, ações de empresas grandes e muito negociadas, também limitaram o desempenho do índice. Petrobras teve queda de 0,22% nas ações ordinárias (PETR3), a R$ 54,52, e alta de 0,24% nas preferenciais (PETR4), a R$ 49. O papel preferencial foi o mais negociado do dia. Banco do Brasil recuou 1,36%, a R$ 22,49, enquanto Vale caiu 0,04%, a R$ 78,20.

IPCA reforça expectativa de corte da Selic

Os dados de inflação ficaram em segundo plano diante da disputa política, mas tiveram efeito relevante sobre as apostas para a próxima reunião do Banco Central. O IPCA, índice oficial de inflação, registrou deflação de 0,32% em agosto, após alta de 0,07% em julho. Em 12 meses, o índice acumulou avanço de 4,22%, dentro do teto da meta, que é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual.

O resultado maior que o esperado reforçou a expectativa de corte de 0,25 ponto percentual na Selic, de 14% para 13,75% ao ano, na decisão de quarta-feira (16). Uma taxa básica menor tende a reduzir o custo de empréstimos ao longo do tempo e pode diminuir o retorno de aplicações pós-fixadas, além de melhorar as condições para empresas e ações. O efeito, porém, depende das projeções para inflação e das decisões futuras do Banco Central.

Inflação dos EUA muda apostas para o Fed

No exterior, os índices de Wall Street subiram, apoiados pelo alívio nos preços do petróleo. O Dow Jones avançou 0,98%, aos 52.573,29 pontos; o S&P 500 ganhou 0,86%, aos 7.656,98 pontos; e o Nasdaq subiu 0,96%, aos 26.333,035 pontos.

Apesar da alta no dia, a inflação americana aumentou a cautela. O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos subiu 0,4% em agosto, ante 0,1% em julho, enquanto o núcleo avançou 0,3%, acima da previsão de 0,2%. Com isso, a probabilidade de alta de 0,25 ponto percentual nos juros pelo Federal Reserve na próxima semana passou de 72,4% para 86,5%, segundo a ferramenta FedWatch.

O que observar na próxima semana

Para o investidor brasileiro, os principais eventos serão a pesquisa Datafolha, os desdobramentos do caso Master e as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Um cenário político mais instável pode manter a procura por dólar e pressionar ações domésticas, enquanto uma eventual alta dos juros americanos tende a fortalecer a moeda dos EUA globalmente.

Na economia real, o IPCA mais baixo abre espaço para algum alívio nos juros, mas a transmissão para financiamentos e crédito não é imediata. A cotação do dólar também influencia produtos importados e custos de empresas, embora uma variação diária de 0,44% não determine sozinha a inflação ou o comportamento dos investimentos.

Impacto para a sociedade

A inflação de agosto e a perspectiva de mudança na Selic podem afetar diretamente o custo do crédito, o rendimento de investimentos e as decisões de consumo. A alta do dólar também pode encarecer produtos importados e itens com preços influenciados pela moeda, embora a variação de um único dia tenha efeito limitado.