A Figure AI, empresa americana de robôs humanoides avaliada em US$ 39 bilhões, abriu vagas de trabalho em São Paulo para atividades ligadas à coleta e à operação de dados. A movimentação sinaliza que o Brasil pode entrar na estratégia internacional da companhia para reunir informações do mundo real, um dos insumos mais importantes para treinar máquinas capazes de se movimentar e executar tarefas em ambientes humanos.
Quais vagas a Figure AI abriu no Brasil
As posições anunciadas envolvem coleta de dados, operações e coordenação desse trabalho, além de uma vaga para a área financeira. As descrições mencionam captura de movimentos e informações sensoriais, que ajudam os sistemas de inteligência artificial a interpretar gestos, objetos, obstáculos e diferentes condições de um ambiente.
A abertura das vagas não significa necessariamente que a Figure esteja instalando um escritório ou trazendo robôs para operar comercialmente no país. O foco inicial parece ser a formação de uma estrutura para coletar dados produzidos por pessoas em situações reais, que podem ser incorporados ao desenvolvimento dos modelos da empresa.
Por que dados do mundo real são estratégicos
Robôs humanoides precisam aprender mais do que reconhecer textos ou imagens. Eles devem compreender como um corpo se desloca, como uma mão segura um objeto e como reagir quando algo sai do padrão. Esse tipo de aprendizado exige simulações de movimento, noções de física e interação com objetos concretos.
Na prática, a coleta feita por pessoas pode alimentar o sistema de inteligência artificial da Figure, chamado Helix. A versão mais recente, Helix 02, permite que dois robôs coordenem tarefas simultaneamente, característica importante para fábricas e centros de distribuição em que o desempenho de vários equipamentos é mais relevante do que a velocidade de uma única máquina.
Empresa acelerou captação e produção
Fundada em 2022 por Brett Adcock, a Figure levantou quase US$ 2 bilhões desde sua criação. Em setembro de 2025, uma rodada de investimentos superior a US$ 1 bilhão elevou o valor da companhia para US$ 39 bilhões, 15 vezes acima da avaliação da rodada anterior, realizada 19 meses antes.
Entre os investidores estão Brookfield, Nvidia, Salesforce, Qualcomm, T-Mobile, LG, Macquarie e Intel Capital. No início de setembro de 2026, a empresa também recebeu US$ 3,5 bilhões da Nscale, em um acordo que combina participação acionária e recursos para a capacidade computacional necessária ao treinamento de robôs físicos.
O que já foi demonstrado pelos robôs
A Figure ganhou visibilidade com a transmissão de um robô trabalhando durante nove dias sem supervisão humana, separando pacotes em um galpão de logística. O vídeo ultrapassou 10 milhões de visualizações. Uma unidade do modelo Figure 03 também foi exibida em um evento na Casa Branca.
O Figure 03 foi lançado em outubro de 2025, como um redesenho baseado no Helix. A produção ocorre na fábrica própria BotQ, inaugurada em março daquele ano. Em abril de 2026, a empresa informou que havia passado de um robô por dia para um por hora em menos de 120 dias. A meta é fabricar 12 mil unidades por ano e chegar a 100 mil robôs entregues até 2029.
O que a expansão pode representar para o Brasil
Até abril de 2026, mais de 350 unidades do Figure 03 haviam sido entregues. A BMW participou de testes industriais com a geração anterior, o Figure 02, e a UPS é apontada como outra cliente comercial. Ainda assim, a empresa está distante da produção em massa em escala global.
Para o Brasil, a contratação representa principalmente a possibilidade de participar da cadeia de desenvolvimento de uma tecnologia ainda em formação. O próximo passo será observar se as vagas evoluem para uma operação maior de coleta de dados e se o país se torna um dos pontos permanentes de treinamento dos robôs da companhia.
