O BTG Pactual elevou o preço-alvo das ações preferenciais da Petrobras (PETR4) de R$ 56 para R$ 65 ao fim de 2027 e passou a projetar uma valorização de 32% em relação ao fechamento de 10 de setembro. Para o banco, a estatal chega ao ciclo eleitoral de 2026 em posição mais forte do que em disputas anteriores, e quatro fatores podem levar os papéis a superar essa estimativa.

Produção acima da meta reforça a geração de caixa

O primeiro suporte é o desempenho operacional. No segundo trimestre de 2026, a Petrobras produziu 2,689 milhões de barris de petróleo por dia, acima da faixa de 2,4 milhões a 2,6 milhões de barris diários projetada pela companhia para todo o ano.

O BTG atribui o resultado à maior produtividade dos campos do pré-sal, à extração superior à inicialmente prevista em algumas plataformas e à entrada em operação de novas capacidades. Uma produção maior, mantidas as condições de preço e custo, tende a elevar a receita e a geração de caixa da empresa.

Refino continua sendo uma fonte relevante de rentabilidade

O segundo gatilho está no refino. De acordo com as estimativas do banco, a Petrobras obtém atualmente cerca de US$ 135 por barril no diesel e aproximadamente US$ 101 por barril na gasolina. Com uma nova subvenção, a realização no diesel poderia alcançar US$ 167 por barril.

Essa dinâmica é importante porque a Petrobras não depende apenas da extração e exportação de petróleo. O refino transforma a matéria-prima em combustíveis e pode gerar margens elevadas quando os preços desses produtos permanecem favoráveis. Desde julho, o BTG vem destacando esse negócio como parte central da tese positiva para as ações.

Lucro e descoberta na Margem Equatorial ampliam os catalisadores

O terceiro fator é a melhora financeira. A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,45 bilhões no segundo trimestre de 2026, quase o dobro do resultado do mesmo período de 2025. O número superou as expectativas do mercado, assim como o Ebitda, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, e a receita líquida.

O quarto ponto é a descoberta de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial. Embora uma descoberta ainda dependa de avaliação e desenvolvimento para se transformar em produção, ela pode ampliar as perspectivas de reservas e de crescimento da companhia no longo prazo.

Eleição ainda pode aumentar a volatilidade de PETR4

A Petrobras costuma ser influenciada pelo debate eleitoral por ser uma empresa controlada pelo governo. Questões como política de preços dos combustíveis, distribuição de dividendos, investimentos e eventual interferência estatal podem alterar a percepção de risco dos investidores.

O BTG, porém, avalia que a companhia inicia este ciclo em condição materialmente mais sólida. Isso não elimina oscilações: em 11 de setembro, às 11h56, PETR4 recuava 1,06%, acompanhando a correção do petróleo. O Brent, referência internacional, caía 2,55%, para US$ 104,87 por barril.

O que observar até o fim de 2027

Além de PETR4, o banco fixou em US$ 26 o preço-alvo do recibo de ações da Petrobras negociado nos Estados Unidos, o ADR, o que representava potencial de alta de 24,2% sobre a cotação de US$ 20,90.

Para quem acompanha a empresa, os próximos pontos de atenção são a manutenção da produção acima das metas, as margens do refino, a evolução da descoberta na Margem Equatorial e o tratamento dado à estatal durante a campanha eleitoral. As projeções são estimativas de mercado e podem mudar com o petróleo, os resultados operacionais e as decisões do governo.