O Ibovespa passou a operar em queda nesta sexta-feira (11), devolvendo parte do forte avanço da sessão anterior. Por volta das 10h10, o principal índice da bolsa brasileira recuava 0,36%, aos 187.587,46 pontos, enquanto investidores avaliavam os dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos, as perspectivas para os juros e o ambiente político.

Inflação brasileira reduz pressão sobre os juros

O IPCA, índice oficial de inflação do país, registrou deflação de 0,32% em agosto, depois de uma alta de 0,07% em julho. Em 12 meses, porém, o indicador acumulou avanço de 4,22%, permanecendo dentro do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.

Uma inflação mensal negativa tende a reduzir a pressão por juros mais altos no Brasil, porque indica menor avanço médio dos preços no período. Isso pode favorecer ativos de maior risco, como ações, ao diminuir o custo de financiamento das empresas e melhorar as perspectivas para o consumo. Ainda assim, o mercado avalia a composição do índice e a persistência da inflação antes de alterar suas projeções.

Dados dos EUA mudam as apostas para o Federal Reserve

Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor subiu 0,4% em agosto, acima da alta de 0,1% registrada em julho. Em 12 meses, a inflação americana chegou a 3,4%, ainda distante da meta de 2% do Federal Reserve, o banco central do país.

O resultado ampliou as apostas dos operadores em uma alta de juros pelo Fed na próxima semana. Juros americanos mais elevados tornam os títulos dos Estados Unidos mais atrativos e podem aumentar o custo de captação no mercado internacional, pressionando bolsas e moedas de países emergentes. Na manhã desta sexta, entretanto, as bolsas de Nova York abriram em alta, após quatro sessões consecutivas de perdas.

Dólar cai e juros futuros recuam no Brasil

O dólar comercial era negociado a R$ 5,083 na venda, queda de 0,38% por volta das 10h37. A moeda também acompanhava o desempenho mais fraco do dólar no exterior. A baixa do câmbio pode aliviar o custo de produtos importados e de insumos cotados em moeda americana, embora a variação de um único pregão não determine a trajetória dos preços.

Os juros futuros, contratos que refletem as expectativas para as taxas brasileiras, recuavam ao longo da curva. As taxas do Tesouro IPCA+ 2032 também caíram 0,15 ponto percentual após a divulgação do IPCA. Quando os juros de mercado diminuem, o preço desses títulos tende a subir, enquanto o retorno oferecido para novas compras é ajustado para baixo.

Política e petróleo aumentam a volatilidade

O cenário eleitoral continua no radar, com a expectativa por uma nova pesquisa Datafolha. Flávio Bolsonaro, senador e candidato à Presidência, é investigado pela Polícia Federal em um inquérito sobre possíveis crimes relacionados ao financiamento da produção do filme “Dark Horse”, biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Também repercutem informações envolvendo o Supremo Tribunal Federal. Um relatório da PF levantou a suspeita de que o ministro Dias Toffoli seria beneficiário final ou proprietário de fato de um fundo que recebeu R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Toffoli já negou ter amizade com o banqueiro ou ter recebido valores dele.

No exterior, as tensões entre Estados Unidos e Irã seguem afetando o petróleo. Depois de cinco altas consecutivas, o Brent para novembro recuava 2,88%, a US$ 104,61 por barril, enquanto o WTI para outubro caía 3,04%, a US$ 99,36. A queda reduz parte da pressão sobre combustíveis, mas o risco de interrupções no fornecimento mantém o mercado sensível a novas notícias.

O que observar até a próxima semana

Para quem investe, o movimento desta sexta-feira mostra a disputa entre dois sinais: a deflação brasileira favorece uma visão menos pressionada para os juros locais, enquanto a inflação americana reforça a possibilidade de aperto monetário nos Estados Unidos. Essa combinação ajuda a explicar a realização de lucros após a alta anterior e a oscilação entre ações, dólar e títulos.

Até a próxima semana, o mercado deve acompanhar as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, novas pesquisas eleitorais e os desdobramentos políticos. Para consumidores e trabalhadores, os principais canais de transmissão são a inflação acumulada, o custo do crédito, o câmbio e os preços de combustíveis e produtos importados.

Impacto para a sociedade

A deflação de 0,32% no IPCA de agosto ajuda a aliviar a pressão sobre alguns preços, mas não significa que todos os produtos e serviços ficaram mais baratos. Já a inflação dos Estados Unidos pode influenciar os juros globais, o custo de financiamento e, indiretamente, o câmbio e os preços de itens importados no Brasil.