O Ibovespa fechou em alta de 1,42% nesta quinta-feira (10), aos 188.268,59 pontos, recuperando a perda do pregão anterior, enquanto o dólar à vista recuou 0,19%, para R$ 5,1027. O movimento refletiu principalmente a reação dos investidores às pesquisas eleitorais, apesar do ambiente internacional mais avesso ao risco.

Pesquisa eleitoral voltou a mexer com os preços

O levantamento AtlasIntel/Bloomberg mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 46,4% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que apareceu com 46,2%. Considerando a margem de erro de um ponto percentual, os dois estão tecnicamente empatados.

A pesquisa ouviu 5.000 eleitores entre 4 e 9 de setembro, tem nível de confiança de 95% e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01452/2026. A mudança em relação à vantagem anterior de Lula reforçou, entre participantes do mercado, a expectativa de uma possível troca de governo em 2027.

Esse tipo de movimento é chamado de “trade eleitoral”: investidores ajustam posições em ações, juros e câmbio conforme suas expectativas sobre o resultado da eleição e sobre as políticas econômicas dos candidatos. A leitura predominante nesta sessão foi de que uma eventual vitória de Flávio poderia favorecer uma condução mais responsável das contas públicas, segundo avaliações citadas no mercado.

Petrobras e bancos lideraram a alta da bolsa

As ações de maior peso no índice ajudaram a sustentar o avanço. A Petrobras ON (PETR3) subiu 1,77%, a R$ 54,64, enquanto a Petrobras PN (PETR4) avançou 1,45%, a R$ 49,12. Foi o terceiro pregão consecutivo de alta dos papéis, apoiados pela valorização do petróleo.

O setor financeiro também teve desempenho positivo, com o Índice Financeiro subindo 2,43%. Itaú Unibanco (ITUB4) ganhou 1,83%, para R$ 42,35. Juntas, Petrobras, Vale e as instituições financeiras representam cerca de metade da carteira teórica do Ibovespa, o que faz com que suas oscilações tenham efeito relevante sobre o resultado do índice.

Na ponta positiva, Assaí (ASAI3) avançou 7,17%, a R$ 9,86, beneficiado pelo alívio na curva de juros futuros, que representa as taxas negociadas para períodos adiante. Já Vale (VALE3) caiu 1,10%, a R$ 78,23, acompanhando a baixa do minério de ferro. Natura (NATU3) recuou 3,30%, a R$ 8,51, na maior queda do Ibovespa.

Dólar caiu mesmo com força no exterior

O real teve desempenho melhor que o de outras moedas, porque o dólar avançou no mercado internacional. O índice DXY, que compara a moeda americana com uma cesta de seis divisas, subia 0,25% perto das 17h, aos 99,067 pontos.

A alta global do dólar foi associada ao aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e à maior expectativa de elevação dos juros pelo Federal Reserve. No Brasil, porém, a repercussão das pesquisas eleitorais prevaleceu e ajudou a levar a moeda para R$ 5,1027.

Petróleo e Fed limitaram o apetite por risco

O petróleo subiu cerca de 6%, com as principais referências negociadas acima de US$ 100 por barril. A alta veio após o aumento dos ataques a navios desde o início da guerra no Irã, elevando o temor de interrupções adicionais em uma oferta já restrita.

O choque da commodity pressionou as bolsas americanas e reforçou as apostas de que o Federal Reserve elevará os juros em 0,25 ponto percentual na reunião de 16 de setembro. A ferramenta FedWatch indicava probabilidade de 71,4% para esse aumento. Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq recuaram 0,60%, 0,58% e 0,65%, respectivamente.

O que observar nos próximos pregões

Para quem investe, o fechamento mostra uma combinação de fatores locais e externos: a política brasileira favoreceu ações e o real, enquanto petróleo, inflação americana e juros dos Estados Unidos atuaram na direção contrária. Essa disputa pode manter a volatilidade elevada em bolsa, câmbio e juros.

O próximo dado de destaque será o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, conhecido como CPI, previsto para sexta-feira (11). O indicador será usado pelos mercados para recalibrar as expectativas sobre os juros americanos, enquanto novas pesquisas eleitorais podem continuar alterando as avaliações sobre o cenário econômico brasileiro.

Impacto para a sociedade

A alta do petróleo para acima de US$ 100 pode pressionar os custos de combustíveis e, se persistir, contribuir para a inflação no Brasil. Já a pequena queda do dólar nesta quinta-feira não muda de forma relevante, por si só, os preços pagos pelos consumidores, mas o câmbio influencia produtos importados e componentes industriais.