A pesquisa AtlasIntel que mostrou um empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva em uma simulação de segundo turno foi apontada como um dos fatores por trás da queda do dólar nesta quinta-feira (10). A leitura dos investidores é que a disputa mais equilibrada altera as projeções para a eleição de 2026 e reduz, ao menos momentaneamente, parte das incertezas políticas incorporadas aos preços dos ativos.

Empate eleitoral entrou no radar do mercado

Na simulação, Flávio Bolsonaro aparece com 46,4% das intenções de voto, enquanto Lula registra 46,2%. A diferença de 0,2 ponto percentual está dentro da margem de erro de um ponto percentual, o que caracteriza empate técnico. Brancos, nulos e indecisos somam 7,4%.

Para o mercado de câmbio, uma disputa mais competitiva pode ser interpretada de diferentes maneiras, mas tende a reduzir a percepção de que o resultado eleitoral já estaria definido. O dólar reage não apenas a dados econômicos, mas também às expectativas sobre o futuro das contas públicas, dos gastos do governo, da política econômica e das relações institucionais.

Como a eleição influencia o preço do dólar

O dólar costuma subir quando investidores entendem que aumentou o risco de políticas capazes de pressionar a inflação, elevar a dívida pública ou reduzir a previsibilidade econômica. Nesses casos, parte do dinheiro busca ativos considerados mais seguros no exterior, aumentando a procura pela moeda americana.

O movimento inverso também pode ocorrer quando uma nova informação diminui a incerteza ou amplia as possibilidades de alternância de poder. Isso não significa que a pesquisa determine a cotação, mas que seus números passaram a ser incorporados às expectativas dos participantes do mercado. A queda do dólar, portanto, refletiu uma combinação de fatores, com o levantamento eleitoral entre os elementos considerados.

O que a pesquisa mostra sobre a disputa

O levantamento também testou Lula contra outros nomes. O presidente aparece numericamente atrás de Romeu Zema, que marca 46,2%, contra 46% de Lula. Contra Ronaldo Caiado, há empate de 45,7% para cada um. Em cenários com Augusto Cury e Renan Santos, Lula vence por 43,8% a 41,1% e por 46% a 33,8%, respectivamente.

Na comparação direta com Flávio, 45,9% dos entrevistados dizem temer a eleição do senador, enquanto 45% afirmam temer a reeleição de Lula; 8,8% consideram que os dois resultados preocupam igualmente. O eleitorado também atribui vantagem a Flávio em economia, por 49% a 44%, segurança, por 49% a 42%, e saúde, por 47% a 45%. Lula lidera apenas em meio ambiente, por 45% a 44%.

Margem de erro impede conclusão definitiva

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg ouviu 5.000 eleitores entre 4 e 9 de setembro, por recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual, com intervalo de confiança de 95%, e o estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-01452/2026.

Como a diferença entre os candidatos é inferior à margem de erro, os números não permitem afirmar que um deles esteja efetivamente à frente. Além disso, a eleição ainda está distante, e mudanças de alianças, candidaturas, propostas e avaliação do governo podem alterar o cenário.

O que observar daqui em diante

Para quem investe, a principal consequência é a possibilidade de maior volatilidade no dólar e em outros ativos à medida que novas pesquisas e fatos políticos forem divulgados. Uma cotação mais baixa da moeda pode aliviar, na margem, custos de produtos importados e componentes cotados em dólar, mas o efeito sobre preços e inflação depende também de commodities, juros e condições internacionais.

O próximo passo será acompanhar a consistência das pesquisas e a reação dos candidatos em temas como responsabilidade fiscal, inflação e crescimento. O mercado tende a revisar suas apostas continuamente, e uma única sondagem, especialmente dentro da margem de erro, não define a trajetória do câmbio nem o resultado eleitoral.