BDRs de Nubank, XP, Inter e JBS poderão ganhar espaço no Ibovespa a partir de 2027, depois que a B3 permitir a inclusão desses recibos na carteira do principal índice da bolsa brasileira. A mudança pode aproximar o indicador dos ativos mais negociados no país e alterar, ainda que de forma limitada, a exposição de ETFs e fundos que acompanham o Ibovespa.

Como a mudança pode alterar o Ibovespa

Os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) são certificados negociados na B3 que representam ações de empresas listadas no exterior. Embora permitam ao investidor brasileiro negociar esses papéis em reais, os recibos ficam atualmente fora do Ibovespa, mesmo quando representam companhias com forte presença no mercado nacional.

Com a nova regra, esses ativos poderão disputar uma vaga na carteira teórica do índice, desde que cumpram os mesmos requisitos aplicados às demais ações. A entrada, portanto, não será automática: será necessário atender a critérios de liquidez, frequência de negociação e presença nos pregões.

Quais BDRs aparecem como candidatos

O ranking de negociação da B3 referente a julho mostra que alguns recibos já têm volume suficiente para chamar a atenção. O volume médio diário negociado (ADTV) nos 12 meses anteriores foi de R$ 123,21 milhões para JBS (JBSS32), R$ 89,91 milhões para Inter (INBR32), R$ 67,79 milhões para XP Inc (XPBR31) e R$ 66,41 milhões para Nubank (ROXO34).

A lista também inclui Aura Minerals (AURA33), com R$ 76,41 milhões por dia, e Mercado Livre (MELI34), com R$ 65,51 milhões. O Mercado Livre, porém, tem uma situação específica: é uma companhia argentina, com sede no Uruguai, embora o Brasil seja seu principal mercado operacional. A elegibilidade do BDR dependerá da interpretação dos critérios da B3.

Por que o limite será de 10%

A B3 estabeleceu que o conjunto de BDRs de empresas brasileiras poderá representar, no máximo, 10% da carteira do Ibovespa. O teto busca evitar uma mudança brusca na natureza do indicador, que é tradicionalmente associado às ações negociadas no mercado brasileiro.

Na prática, os recibos representam ações estrangeiras, ainda que sejam de companhias fundadas no Brasil ou com grande parte de suas operações no país. O limite também reduz possíveis efeitos sobre fundos de investimento e entidades de previdência que usam o Ibovespa como referência e têm regras próprias para exposição a ativos estrangeiros.

O efeito para ETFs e fundos de índice

Para quem compra diretamente um BDR, a mudança não altera a forma de negociação do ativo. O principal efeito tende a ser o aumento da visibilidade e do acompanhamento desses papéis, que passarão a fazer parte das discussões sobre a composição do principal índice da bolsa.

Já investidores em ETFs e fundos que replicam o Ibovespa poderão ter exposição indireta aos BDRs incluídos. Como esses produtos procuram acompanhar a carteira do índice, seus gestores precisarão considerar os recibos em suas posições. Isso pode reforçar a liquidez dos ativos, mas não representa garantia de valorização das cotações.

O que observar até a mudança entrar em vigor

O próximo passo será a aplicação efetiva da metodologia da B3 e a definição dos ativos que atenderão aos critérios de elegibilidade. Os volumes de negociação são um indicador importante, mas não bastam isoladamente para assegurar a entrada de qualquer BDR no Ibovespa.

Para o investidor, a mudança amplia as possibilidades de exposição indireta a empresas conhecidas do mercado brasileiro por meio de produtos que acompanham o índice. O impacto ficará limitado pelo teto conjunto de 10%, e a composição final dependerá das regras e das carteiras teóricas divulgadas pela B3 a partir de 2027.