O mercado brasileiro de medicamentos para emagrecer movimentou R$ 10 bilhões entre 2021 e 2025 e se tornou um dos principais motores de crescimento das redes de farmácias. A categoria, que pode alcançar R$ 50 bilhões até 2030, já representa de 9% a 12% da receita de grandes varejistas listadas na bolsa, como RD Saúde e Pague Menos.
Medicamentos passaram de nicho a motor de vendas
Produtos como Ozempic, Mounjaro e Wegovy deixaram de ser restritos a um público de nicho e passaram a influenciar diretamente o consumo no varejo farmacêutico. Eles pertencem à classe dos análogos de GLP-1, medicamentos injetáveis usados em tratamentos relacionados ao controle do peso e do diabetes.
Na prática, a maior procura por esses produtos aumenta o fluxo de clientes nas farmácias e dá mais peso à categoria dentro do faturamento das redes. O avanço também transforma os medicamentos em um elemento relevante para o desempenho financeiro de companhias que têm capital aberto e divulgam resultados trimestrais.
Participação na receita pode dobrar até 2030
Estimativas acompanhadas por analistas indicam que os remédios da classe GLP-1 podem chegar a 20% das vendas totais das grandes redes até 2030. A projeção representa uma expansão relevante sobre o patamar atual, de 9% a 12% da receita.
Esse movimento ajuda a explicar por que a categoria passou a ser observada como uma tese estrutural para o varejo farmacêutico, e não apenas como uma onda temporária de consumo. Quanto maior a presença dos medicamentos no tratamento de pacientes, maior tende a ser sua contribuição para o faturamento das redes.
Projeção de R$ 20 bilhões no curto e médio prazo
Antes de chegar ao cenário mais amplo projetado para 2030, a expectativa é que o mercado brasileiro alcance R$ 20 bilhões anuais no curto e médio prazo. O crescimento deve ser apoiado pela entrada de novas marcas e pela ampliação das opções disponíveis aos pacientes.
O valor estimado para esse período corresponde ao dobro dos R$ 10 bilhões movimentados acumuladamente entre 2021 e 2025, embora os períodos de comparação sejam diferentes. A leitura é de que o mercado ainda está em uma fase inicial de expansão no país.
Genéricos podem ampliar o acesso ao tratamento
O cenário mais agressivo, de até R$ 50 bilhões em 2030, considera dois fatores principais: a futura chegada de versões genéricas após o fim das patentes e a expansão do tratamento para consumidores das classes B e C.
As versões genéricas podem aumentar a oferta e reduzir barreiras de acesso, enquanto a incorporação por faixas mais amplas da população amplia o número potencial de consumidores. Esses movimentos, porém, dependem da efetiva disponibilidade dos produtos e da evolução da demanda no mercado formal.
O que observar nas varejistas farmacêuticas
Para quem acompanha as empresas do setor, os indicadores mais relevantes serão a participação dos medicamentos GLP-1 na receita, o ritmo de expansão da categoria e a capacidade das redes de transformar a demanda em crescimento recorrente de vendas. RD Saúde e Pague Menos já aparecem entre as companhias diretamente expostas a essa tendência.
O próximo passo será verificar se o avanço projetado se confirma nos balanços e se a entrada de novas marcas e genéricos amplia o mercado sem reduzir o peso da categoria para as redes. Para o consumidor, a principal consequência potencial é uma oferta mais ampla de tratamentos; para os investidores, o tema passa a ser um dos fatores setoriais a acompanhar nas próximas divulgações.
