As ações da Petrobras avançaram 0,91%, a R$ 48,86, por volta das 11h15 desta quinta-feira (10), e ajudaram a sustentar o Ibovespa, que subia 0,62%, aos 186.902,02 pontos. O movimento ocorreu enquanto o petróleo superava US$ 100 por barril, em um pregão de maior aversão a risco no exterior e liquidez reduzida.
Petróleo sobe com tensão no Oriente Médio
O principal impulso para as ações da estatal veio da valorização da commodity. O contrato mais líquido do Brent, referência internacional, chegou a subir mais de 4% e atingiu US$ 105,84 por barril para entrega em novembro, na máxima registrada durante a manhã.
A alta refletiu o aumento das tensões no Oriente Médio. Notícias de que os houthis, grupo apoiado pelo Irã, avançavam em direção ao estreito de Bab al-Mandeb, no Mar Vermelho, elevaram o temor de interrupções no transporte e na oferta de petróleo. Quando o mercado projeta menor disponibilidade, os preços tendem a subir, favorecendo empresas produtoras, mas aumentando custos para consumidores e setores dependentes de combustíveis.
PETR4 concentra os negócios na B3
Antes de recuar para a alta de 0,91%, a ação preferencial PETR4 chegou a subir 1,71%, a R$ 49,25. O papel era o mais negociado da B3, com cerca de 11,2 mil negócios e giro financeiro de R$ 406,741 milhões no horário de referência.
As ações ordinárias PETR3 avançavam 0,56%, a R$ 53,99. O movimento positivo também alcançava outras petroleiras: Brava Energia (BRAV3) subia 2,55%, a R$ 18,89; PetroReconcavo (RECV3) ganhava 1,66%, a R$ 11,61; e Prio (PRIO3) avançava 1,41%, a R$ 63,50.
Medidas sobre combustíveis entram no radar
Além do petróleo, os investidores avaliavam o fim, a partir desta quinta-feira, do desconto de R$ 0,44 por litro aplicado pela Petrobras na gasolina A devido ao encerramento da medida provisória de subvenção dos combustíveis.
Na véspera, o governo anunciou um pacote que reduz em R$ 0,63 por litro os tributos PIS/Cofins sobre a gasolina, em R$ 0,19 por litro os impostos sobre o etanol e em R$ 1 sobre o diesel. Na prática, a redução tributária pode aliviar o preço final, enquanto o valor cobrado pela Petrobras continua influenciado pelo petróleo internacional e pela política comercial da companhia.
Analistas veem efeito positivo no caixa da estatal
O BTG Pactual avaliou que as medidas preservam a política de preços e a governança da Petrobras, além de poderem gerar aproximadamente US$ 3,4 bilhões em receitas adicionais até o fim do ano se forem mantidas. O banco reiterou sua recomendação de compra para PETR4 e preço-alvo de R$ 56, mas essas projeções dependem das condições de mercado e não representam garantia de retorno.
O Bradesco BBI calculou que a combinação das mudanças e dos subsídios poderia acrescentar cerca de US$ 6,5 bilhões anualizados ao fluxo de caixa livre para o acionista. Para os analistas, o desconto dos preços da Petrobras em relação à paridade de exportação recuaria para aproximadamente 21% na gasolina e 10% no diesel.
O que acompanhar no petróleo e nas ações
Para quem investe, o desempenho da Petrobras continuará ligado à evolução das tensões no Oriente Médio, às cotações do Brent e à reação do mercado às medidas para combustíveis. O petróleo mais caro tende a beneficiar a receita de produtoras, mas também pode elevar pressões inflacionárias e aumentar a sensibilidade dos investidores a decisões governamentais.
Para consumidores e empresas, o ponto central será verificar quanto da redução de tributos chegará às bombas e como a estatal ajustará seus preços diante do cenário internacional. A alta de PETR4 sustentou a bolsa nesta manhã, mas permanece concentrada em um setor específico e não elimina os riscos externos que mantêm o mercado mais defensivo.
Impacto para a sociedade
A alta do petróleo pode pressionar os custos de combustíveis e outros produtos, embora o novo pacote do governo reduza tributos sobre gasolina, etanol e diesel. Para o consumidor, o efeito final dependerá da combinação entre os preços internacionais, a política da Petrobras e os impostos cobrados no Brasil.
