O Ibovespa reverteu a queda nesta quinta-feira (10) e avançou 1,50%, aos 188.422,42 pontos, máxima intradiária registrada por volta do meio-dia. O movimento ocorreu enquanto o dólar recuava 0,42%, para R$ 5,0906, e investidores aguardavam a divulgação da nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, em meio a apostas de mudança no cenário eleitoral.

Bolsa muda de direção antes da pesquisa eleitoral

O índice havia começado o pregão próximo da estabilidade, aos 185.622,19 pontos, mas chegou a cair 0,55% durante a manhã, para 184.601,20 pontos. A virada levou o Ibovespa novamente para a faixa dos 188 mil pontos, destoando da cautela predominante nos mercados internacionais.

A expectativa é de que a pesquisa, prevista para ser divulgada ainda nesta quinta, mostre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) bem posicionado em uma eventual disputa de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Levantamentos recentes já vêm sendo interpretados pelo mercado como sinais de maior competitividade do senador.

Por que as eleições influenciam os preços dos ativos

Parte dos investidores avalia que uma eventual vitória de um candidato mais alinhado ao setor privado poderia favorecer medidas de controle das contas públicas. Essa percepção reduz, ao menos no curto prazo, o prêmio exigido para investir em ativos brasileiros e pode beneficiar ações, juros futuros e o real.

Gabriel Magno, chefe de alocação e sócio da AW Capital, afirmou que o mercado vem reajustando posições diante da expectativa crescente de vitória de Flávio Bolsonaro ou de outro candidato que não seja Lula. Para ele, o movimento reflete a possibilidade de um governo considerado mais favorável ao mercado.

No mercado preditivo Polymarket, Flávio passou a aparecer com 52% de probabilidade de vitória, ante 45% para Lula. O contrato relacionado à eleição brasileira já movimentou quase US$ 147 milhões. A leitura, porém, representa apostas dos participantes, e não uma pesquisa de intenção de voto.

Dólar cai no Brasil apesar da alta no exterior

O real também se valorizou em um movimento contrário ao observado no exterior. O índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,09%, aos 98,906 pontos, perto do meio-dia. A moeda americana também era apoiada pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pelo avanço do petróleo Brent para acima de US$ 105 por barril.

No Brasil, a expectativa eleitoral se sobrepôs a esses fatores externos. Notícias interpretadas como favoráveis a uma possível mudança de governo tendem a reduzir a demanda por proteção cambial, pressionando o dólar para baixo.

Atuação do Banco Central e cenário internacional

O Banco Central realizou pela manhã duas operações simultâneas: vendeu US$ 1 bilhão no mercado à vista e negociou 20 mil contratos de swap cambial reverso, equivalentes a US$ 1 bilhão. Como as operações atuam em sentidos opostos, o efeito líquido esperado sobre a cotação é, em tese, limitado, mas elas ajudam a dar liquidez ao mercado.

No fim da manhã, a autoridade monetária também vendeu 50 mil contratos de swap cambial tradicional para rolar o vencimento de 1º de outubro. No exterior, as bolsas operavam em baixa após a alta do petróleo e novos dados dos Estados Unidos: o índice de preços ao produtor subiu 0,4% em agosto, enquanto os pedidos semanais de auxílio-desemprego caíram para 206 mil.

O que observar depois da divulgação

A curva de juros futuros, que indica as taxas negociadas para diferentes prazos, acompanhou o alívio dos ativos brasileiros. O contrato de janeiro de 2027 caiu de 13,580% para 13,575%, enquanto a taxa para janeiro de 2034 recuou 20 pontos-base, para 14,04% na mínima do dia.

Para quem investe, o próximo teste será a reação aos números efetivos da AtlasIntel/Bloomberg, além da confirmação ou não da tendência apontada por outras pesquisas. Como o movimento atual depende de expectativas políticas ainda sujeitas a mudanças, bolsa, dólar e juros podem continuar oscilando conforme novos levantamentos e declarações dos candidatos forem divulgados.