O bitcoin (BTC) é negociado perto de US$ 76 mil nesta quinta-feira (10), com queda superior a 3% nas últimas 24 horas. O movimento amplia a pressão sobre o mercado de criptomoedas, que também reage ao avanço dos juros nas principais economias e à alta dos custos de energia, em um ambiente menos favorável para ativos considerados arriscados.

Juros maiores reduzem o apetite por risco

Quando os bancos centrais elevam os juros, aplicações de menor risco passam a oferecer retorno mais atrativo. Ao mesmo tempo, o dinheiro fica mais caro para empresas e consumidores, o que tende a diminuir o fluxo de recursos para ativos voláteis, como criptomoedas e ações de empresas de tecnologia.

O Banco Central Europeu elevou nesta quinta-feira sua taxa de juros de 2,25% para 2,50% e afirmou que a inflação deve permanecer acima da meta de 2% por algum tempo. A decisão reforça a percepção de que o ciclo de aperto monetário global pode durar mais do que o esperado.

Petróleo e guerra no Irã aumentam a incerteza

O petróleo chegou ao patamar de US$ 105 por barril nesta quinta-feira, em meio às consequências da guerra no Irã. A alta da commodity pressiona os custos de transporte e produção e dificulta o trabalho dos bancos centrais, que precisam combater a inflação sem provocar uma desaceleração excessiva da economia.

Para os mercados, esse cenário combina inflação mais resistente com possibilidade de juros elevados por mais tempo. A consequência costuma ser uma redução da disposição dos investidores para assumir riscos, afetando simultaneamente bolsas e criptomoedas.

Queda se espalha entre as principais criptomoedas

O movimento negativo não ficou restrito ao bitcoin. O ethereum recuava 2,92% em 24 horas, enquanto BNB e XRP registravam perdas de 4,66% e 4,44%, respectivamente. A solana caía 3,88%, e o token HYPE recuava 6,13% no mesmo intervalo.

Nos períodos mais longos, o bitcoin acumulava queda de 2,22% em sete dias e de 11,86% em 30 dias, conforme os dados disponíveis na manhã de 10 de setembro. Entre os ativos de maior capitalização, o TRON era uma exceção, com alta de 3,02% na semana e de 19,16% no mês.

Próxima decisão do Fed entra no radar

Os investidores também acompanham a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), o equivalente americano ao Copom, marcada para a próxima semana. A expectativa em torno da política monetária dos Estados Unidos costuma influenciar o dólar, os juros dos títulos americanos e, por consequência, o fluxo global para ativos de risco.

As bolsas asiáticas encerraram o dia sem direção única, enquanto as praças europeias tinham comportamento misto e os futuros de Wall Street buscavam alta. Esse quadro indica que a cautela não está limitada ao mercado cripto, embora a volatilidade das moedas digitais amplifique os movimentos.

O que observar antes dos próximos movimentos

Para quem investe, o dado mais importante é que a queda do bitcoin ocorre junto de uma mudança no ambiente macroeconômico: petróleo caro, inflação persistente e juros mais altos. Esses fatores podem continuar determinando o comportamento dos ativos enquanto o mercado aguarda os próximos sinais dos bancos centrais.

Além da decisão do Fomc, a evolução do conflito no Irã e dos preços de energia deve permanecer no centro das atenções. A combinação entre política monetária e riscos geopolíticos será determinante para avaliar se a pressão sobre o bitcoin perde força ou se alcança outras criptomoedas e mercados globais.

Impacto para a sociedade

A queda do bitcoin não altera diretamente o orçamento da maioria dos brasileiros, mas os fatores por trás do movimento podem chegar ao bolso. O petróleo perto de US$ 105 por barril encarece combustíveis e pode aumentar a pressão sobre a inflação, enquanto juros maiores no exterior tendem a elevar o custo do crédito e reduzir o apetite por investimentos de risco.