Empregados da Caixa Econômica Federal iniciaram nesta quinta-feira (10) uma greve nacional por tempo indeterminado, enquanto funcionários do Banco do Brasil fazem paralisações parciais em bases sindicais que rejeitaram o acordo da categoria. O movimento amplia a pressão sobre as instituições justamente no momento em que as negociações específicas da Caixa foram retomadas.

Caixa mantém paralisação mesmo com nova rodada de negociação

A greve da Caixa foi deflagrada depois que mais de 90% dos empregados que participaram das assembleias pelo país rejeitaram a proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) do banco. A orientação dos sindicatos é manter a paralisação até que uma eventual nova proposta seja submetida novamente às assembleias.

As negociações haviam sido retomadas na quarta-feira (9), em São Paulo. A Caixa não apresentou uma nova oferta naquela reunião, mas se comprometeu a avançar nas conversas e marcou uma nova rodada para a manhã desta quinta-feira, dia de início da greve nacional.

Saúde Caixa é um dos principais pontos de conflito

O principal impasse apontado pela representação dos trabalhadores envolve o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados. A entidade sindical afirma que o modelo e as condições relacionadas ao benefício estão entre os fatores que levaram à rejeição da proposta apresentada pelo banco.

Outras reivindicações apresentadas desde junho também permanecem em negociação. Para Luiza Hansen, coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa e diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, o índice superior a 90% mostrou uma insatisfação ampla com os termos oferecidos pela instituição.

Paralisação do Banco do Brasil fica limitada a parte do país

No Banco do Brasil, não há uma greve nacional. A paralisação ocorre somente nas bases sindicais que não aprovaram o acordo coletivo, entre elas Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis.

Ao todo, 60 entidades sindicais rejeitaram a nova convenção, enquanto outras bases aprovaram o texto. Na prática, a intensidade do movimento varia de acordo com a decisão de cada sindicato, diferentemente do que ocorre na Caixa, onde a orientação é nacional e por tempo indeterminado.

Convenção geral dos bancários foi assinada

O Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos assinaram na quarta-feira a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) válida para a categoria entre 2026 e 2028. O documento terá vigência até 31 de agosto de 2028.

A convenção prevê reposição integral do INPC acumulado entre setembro de 2025 e agosto de 2026, índice que será divulgado na sexta-feira (11), além de aumento real de 0,6% em 2026. A mesma regra de ganho acima da inflação será aplicada em 2027. O reajuste também alcança verbas como participação nos lucros, vale-refeição, vale-alimentação e auxílio-creche ou babá.

O que trabalhadores e clientes devem acompanhar

A assinatura da convenção geral não encerrou o conflito na Caixa, porque o banco ainda precisa concluir seu ACT específico. O próximo ponto decisivo será o resultado da rodada de negociação desta quinta-feira e a eventual apresentação de uma nova proposta aos empregados.

Para quem trabalha ou utiliza os serviços das instituições, o efeito imediato depende da adesão de cada unidade e sindicato. Na Caixa, a abrangência nacional aumenta a possibilidade de impacto no atendimento presencial; no Banco do Brasil, a paralisação é localizada. A continuidade dos movimentos dependerá das negociações e da votação de novas propostas em assembleias.

Impacto para a sociedade

A paralisação pode afetar o atendimento presencial e a execução de serviços bancários da Caixa em todo o país, enquanto no Banco do Brasil os efeitos ficam restritos às bases que aderiram ao movimento. Clientes e trabalhadores devem acompanhar os canais digitais e as orientações locais dos bancos durante as negociações.