A Polícia Federal intimou Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central, e Roberto Campos Neto, seu antecessor, para prestar depoimento como testemunhas na investigação sobre suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. Também foram chamados André Esteves, do BTG Pactual, e Ailton Aquino, diretor de Fiscalização do BC. O fato amplia a apuração para nomes que ocupam ou ocuparam posições centrais na supervisão do sistema financeiro, embora nenhum dos quatro apareça como investigado nesse procedimento.
Quatro testemunhas foram citadas em depoimentos
As intimações ocorreram depois que os quatro nomes foram mencionados em depoimentos prestados por Paulo Sérgio Souza, ex-diretor do Banco Central. Ele é investigado sob suspeita de ter recebido vantagens do banqueiro Daniel Vorcaro para beneficiar o Master, mas nega ter cometido irregularidades.
Na condição de testemunhas, Galípolo, Campos Neto, Esteves e Aquino têm o dever de dizer a verdade à PF. Os depoimentos devem ajudar os investigadores a esclarecer os contatos, as informações e as circunstâncias relacionadas aos nomes citados por Souza.
O que a investigação tenta esclarecer
A apuração faz parte da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes e a atuação de ex-integrantes do Banco Central. Uma das linhas examinadas é a possibilidade de que esses ex-servidores tenham prestado uma espécie de consultoria informal a Vorcaro em troca de vantagens financeiras.
Paulo Sérgio Souza está entre os principais alvos dessa frente da investigação. A suspeita, portanto, envolve possível uso indevido de conhecimento ou influência de pessoas que passaram pelo órgão responsável por regular e fiscalizar instituições financeiras. Até o momento, o material não aponta os quatro intimados como participantes dessas irregularidades.
Por que os depoimentos ampliam o alcance do caso
A convocação do presidente e do ex-presidente do BC leva à investigação pessoas que estiveram em posições diferentes durante o período examinado. Galípolo comanda atualmente a autoridade monetária, enquanto Campos Neto ocupou a presidência anteriormente. Aquino, por sua vez, atua diretamente na fiscalização.
O depoimento de André Esteves acrescenta à apuração a perspectiva de um dos principais executivos do mercado bancário. Como os quatro foram chamados como testemunhas, a medida não equivale a uma acusação nem indica, por si só, que a PF tenha encontrado participação deles nas suspeitas investigadas.
O que a operação pode representar para o mercado
Investigações envolvendo um banco e possíveis relações impróprias com ex-integrantes do órgão supervisor costumam ser acompanhadas pelo mercado porque atingem a confiança na fiscalização e na qualidade das informações disponíveis sobre as instituições financeiras. Essa confiança influencia a avaliação de risco feita por investidores, credores e clientes.
Isso não significa que a convocação, isoladamente, determine uma mudança em ações, títulos ou nas decisões de juros. O efeito econômico dependerá das conclusões da investigação e de eventuais medidas posteriores. O material também não informa reação específica de ativos ou novas decisões regulatórias relacionadas ao caso.
Próximos passos para a apuração e os investidores
O próximo passo imediato é a tomada dos depoimentos pela Polícia Federal. As declarações poderão complementar o que foi relatado por Souza e ajudar a delimitar se houve apenas contatos institucionais ou se existiram condutas incompatíveis com as funções exercidas pelos envolvidos.
Para quem investe, o ponto prático é acompanhar a evolução formal da Operação Compliance Zero, distinguindo convocações como testemunha de indiciamentos ou acusações. A investigação ainda está em andamento, e qualquer impacto sobre o Banco Master, outras instituições ou a confiança no sistema dependerá dos fatos que forem confirmados pelas autoridades.
