O Ibovespa chegou a cair 1,36% nesta quarta-feira (9), aos 184.810,27 pontos, enquanto o petróleo Brent superou US$ 101 por barril. A combinação de tensão no Oriente Médio, receio de inflação global e menor apetite por risco levou investidores a reduzir posições em ações, especialmente em mercados emergentes como o Brasil.

Petróleo acima de US$ 101 reacende temor de inflação

Os contratos do Brent para novembro avançavam mais de 3% durante o pregão. A alta ocorreu em meio à continuidade dos ataques nas proximidades do Estreito de Ormuz, incluindo uma nova ofensiva dos Estados Unidos perto da Ilha de Kharg, no Irã, e ações dos houthis do Iêmen, aliados de Teerã, contra a Arábia Saudita. Os Emirados Árabes Unidos também permanecem em alerta.

O petróleo é uma commodity essencial para combustíveis, transporte e diversos custos industriais. Por isso, uma alta persistente pode elevar as expectativas de inflação e reduzir o espaço para cortes de juros em diferentes países. A pressão também aumenta a atratividade dos títulos públicos americanos, considerados mais seguros em momentos de incerteza.

Exterior em queda aumenta pressão sobre ativos brasileiros

As principais bolsas de Nova York e da Europa operavam em baixa, acompanhando a disparada do petróleo. Para Rebecca Nossig, analista de ações da Nomad, o movimento representa uma correção moderada do Ibovespa, mas reflete principalmente o contágio negativo do ambiente internacional.

Com a fuga de ativos mais arriscados, os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro dos Estados Unidos, subiram. Quando esses juros aumentam, investimentos americanos ficam relativamente mais atraentes e podem reduzir o fluxo de recursos para países emergentes. Esse mecanismo pesa sobre a bolsa brasileira e sobre o real.

Juros do Fed e fluxo estrangeiro entram no radar

O economista Gustavo Bertotti, head de renda variável da Fami Capital, afirmou que o Ibovespa continua dependente do fluxo estrangeiro. Na avaliação dele, a combinação de riscos geopolíticos e inflação elevada prejudica o desempenho da bolsa, enquanto os investidores aguardam indicadores econômicos dos Estados Unidos previstos para quinta-feira (10) e sexta-feira (11).

De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de uma alta de juros pelo Federal Reserve em setembro estava próxima de 63%. Há cerca de 20 dias, essa possibilidade era bem menor. Juros americanos mais altos tendem a fortalecer o dólar e a pressionar ações de empresas brasileiras, sobretudo as mais dependentes de capital externo.

Bancos recuam, enquanto Petrobras limita perdas

O setor financeiro foi um dos principais pesos do índice, com queda de 2% no Índice Financeiro. A Tenda liderava as perdas, com baixa de 5,66%, a R$ 33,17, em um movimento associado à pressão na curva de juros, à devolução da alta da véspera e à troca de CEO no radar.

A Vale recuava 0,39%, a R$ 78,71, acompanhando a queda do minério de ferro em Dalian, na China. Na direção oposta, a Petrobras ajudava a conter a baixa: PETR3 subia 0,77%, a R$ 53,65, e PETR4 avançava 0,71%, a R$ 48,43. A CSN liderava as altas, com ganho de 3,47%, a R$ 6,85.

Dólar, política brasileira e próximos sinais

Por volta das 13h, o dólar à vista subia 0,35%, a R$ 5,1038, enquanto o índice DXY avançava 0,01%, aos 98.793 pontos. No ambiente doméstico, investidores também acompanhavam pesquisas para a eleição presidencial e a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal.

A nova pesquisa Meio/Ideia mostrou Lula e Flávio Bolsonaro empatados em 46% num eventual segundo turno. Para o mercado, os próximos movimentos dependerão da evolução dos conflitos no Oriente Médio, do petróleo, dos dados americanos e do fluxo estrangeiro. Para quem investe ou acompanha a economia, o principal efeito a observar é se o choque das commodities será temporário ou suficiente para pressionar inflação, juros e custos no Brasil.

Impacto para a sociedade

A alta do petróleo pode encarecer combustíveis e pressionar a inflação brasileira caso persista, afetando o poder de compra das famílias. O temor de preços maiores também pode dificultar a queda dos juros, mantendo o crédito mais caro para consumidores e empresas.