O Bradesco BBI revisou as projeções para Equatorial (EQTL3) e Energisa (ENGI11) após os resultados do segundo trimestre e elevou os preços-alvo das duas empresas para o fim de 2027, incorporando também a expectativa de maiores volumes vendidos no segundo semestre. A casa manteve a recomendação de compra para a Equatorial, com alvo de R$ 57 por ação, e a classificação neutra para a Energisa, com alvo de R$ 66.

Equatorial passa a ter maior potencial projetado

Para a Equatorial, o novo preço-alvo representa um potencial de valorização de 45,2% em relação ao último fechamento considerado na análise. A recomendação de compra foi mantida, enquanto as estimativas passaram a refletir uma visão mais favorável para o consumo de energia e os efeitos das mudanças regulatórias esperadas.

No caso da Energisa, o preço-alvo foi fixado em R$ 66, o que corresponde a um potencial de alta de 28,2%. Apesar do espaço projetado, o BBI manteve a recomendação neutra, sinalizando uma relação menos assimétrica entre os riscos envolvidos e o retorno estimado para o papel.

Calor deve impulsionar volumes no segundo semestre

Os analistas revisaram para cima as projeções de demanda depois de o consumo total de energia ter avançado 7% na comparação anual no último mês, em meio às temperaturas mais elevadas. O fenômeno climático associado ao El Niño é apontado como um possível fator de surpresa positiva no curto prazo para as duas companhias.

Para o segundo semestre de 2026, o BBI estima crescimento anual de aproximadamente 7,5% nos volumes de “fio B” da Equatorial, levando a uma expansão de cerca de 6% no ano. Para a Energisa, a previsão é de alta próxima de 9% no segundo semestre e de 7,4% no acumulado de 2026.

Regulação pode alterar o retorno das distribuidoras

As projeções também incorporam uma recalibragem marginal do novo Fator X, mecanismo usado nas revisões tarifárias para compartilhar com os consumidores parte dos ganhos e perdas de produtividade das empresas. O novo componente, chamado “Pd”, deve ter a consulta pública concluída em 2026 e implementação a partir de 2027.

O banco manteve, porém, uma postura conservadora para o WACC regulatório, taxa que representa o custo de capital reconhecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nas revisões tarifárias. Em 8 de setembro, a agência rejeitou o pedido das empresas para incluir a revisão da metodologia na agenda regulatória de 2027, embora tenha indicado que o tema pode ser avaliado em 2028 ou 2029.

Juros e inadimplência continuam entre os riscos

No cenário-base do BBI, o WACC regulatório cairia dos atuais 8,1% para 7,8% em 2027, alcançaria 7% em 2030 e se recuperaria gradualmente para 7,9% em 2035. Caso a metodologia não seja temporariamente mantida próxima de 8%, as revisões tarifárias de 2027, 2028 e 2029 poderiam usar taxas de 7,79%, 7,54% e 7,23%, respectivamente.

As duas ações seguem sensíveis ao ambiente político e macroeconômico porque têm fluxos de caixa de prazo mais longo e alavancagem relativamente elevada. Na prática, juros mais altos tendem a reduzir o valor presente desses fluxos e encarecer o financiamento. O BBI também elevou as provisões para créditos de liquidação duvidosa das companhias, retirando a expectativa de desempenho acima do projetado a partir de 2028.

O que observar nas próximas projeções

Aos preços atuais, o BBI estima uma taxa interna de retorno real de aproximadamente 11,5% para a Equatorial e de cerca de 11% para a Energisa. Essa métrica procura medir o retorno anual descontado da inflação ao longo do período projetado, mas não elimina os riscos associados a juros, regulação, inadimplência e desempenho operacional.

Para quem acompanha as ações, os próximos pontos de atenção são a evolução do consumo durante o segundo semestre, a implementação do novo Fator X e as decisões da Aneel sobre o WACC. A diferença entre os alvos e as recomendações mostra que o potencial de valorização estimado não é o único critério usado pelo banco na avaliação dos papéis.