Um levantamento com seis empresas de tecnologia listadas na B3 mostra quais delas mais remuneraram os acionistas em 2026: a CSU Digital (CSUD3) liderou o ranking, com dividend yield de 12,45% no acumulado até 31 de agosto. O resultado coloca a companhia à frente de nomes como Bemobi Tech, B3 e Totvs e reforça que o setor, geralmente associado a crescimento, também reúne empresas com distribuição relevante de lucros.

CSU supera empresas maiores no ranking de dividendos

O levantamento da Elos Ayta considerou companhias do segmento de programas e serviços financeiros com volume médio diário negociado superior a R$ 1 milhão nos 12 meses anteriores. Depois da CSU Digital, aparecem Bemobi Tech, com dividend yield de 9,90%; Lwsa, com 7,22%; B3, com 5,81%; Totvs, com 1,58%; e Meliuz, com 0% no período analisado.

Dividend yield é a relação entre os proventos pagos por uma empresa e o preço de sua ação. O indicador ajuda a comparar a remuneração distribuída ao acionista, mas pode variar conforme o valor do papel em bolsa e não representa uma promessa de pagamentos futuros.

Desempenho da CSU também foi forte em 2025

A CSU Digital já havia apresentado uma distribuição elevada em 2025, quando registrou dividend yield de 18,10%. Naquele ano, a companhia ficou atrás apenas da Bemobi Tech, que alcançou 19,45%, mas superou as demais empresas incluídas no levantamento.

O índice da CSU em 2026 ficou acima da mediana de 10,02% do IDIV, indicador da B3 voltado para empresas pagadoras de dividendos. Também superou as medianas apuradas para o Ibovespa, de 5,39%, e para as small caps, de 4,06%, na mesma base de comparação.

Política de distribuição explica remuneração aos acionistas

Nos últimos cinco anos, a CSU Digital distribuiu ao menos 50% do lucro líquido em proventos. Esse percentual equivale ao dobro do mínimo obrigatório previsto no estatuto social da companhia, indicando uma política de remuneração mais elevada do que o piso estabelecido internamente.

Em 2025, a distribuição foi reforçada por R$ 50 milhões em dividendos extraordinários. Com isso, o total pago aos acionistas chegou a R$ 97,1 milhões naquele ano. Pagamentos extraordinários, porém, dependem dos resultados e das decisões corporativas de cada exercício e não necessariamente se repetem.

Pagamento trimestral dá mais previsibilidade

A CSU adota um calendário trimestral de distribuição por meio de juros sobre capital próprio (JCP). Os pagamentos são deliberados pelo Conselho de Administração e podem ser imputados ao dividendo estatutário, respeitando também as decisões da Assembleia.

Na prática, a distribuição ao longo do ano reduz a concentração da remuneração em um único evento anual e pode dar maior previsibilidade ao acionista. Ainda assim, o calendário não elimina a possibilidade de mudanças, já que os pagamentos dependem das deliberações societárias e da geração de resultados.

O que observar antes de comparar as empresas

O avanço da inteligência artificial aumentou o interesse por companhias de tecnologia, especialmente aquelas com potencial de crescimento em serviços financeiros, varejo e indústria. O levantamento mostra, contudo, que a análise do setor não precisa se limitar à expectativa de valorização das ações: algumas empresas também distribuem parcela relevante do lucro.

Para quem acompanha o mercado, a comparação deve considerar o histórico de pagamentos, a política de distribuição, a capacidade de geração de lucro e o tamanho da empresa, além do dividend yield de um único período. Entre os nomes avaliados, a CSU aparece como líder até agosto de 2026, enquanto B3 e Totvs oferecem maior porte e liquidez, mas apresentaram indicadores diferentes de remuneração.