Onze empresas da B3 distribuíram R$ 18,1 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) entre abril e junho de 2026, cerca de 45% dos aproximadamente R$ 40 bilhões pagos por todas as companhias listadas no período. A Petrobras liderou com ampla vantagem, enquanto bancos e empresas de setores variados completaram o grupo das maiores pagadoras.

Petrobras respondeu por 42% do total do grupo

Os pagamentos foram ordenados pelo valor efetivamente desembolsado aos acionistas no segundo trimestre, e não apenas por proventos anunciados ou aprovados. Para integrar o levantamento, cada companhia também precisava ter pago mais de R$ 100 milhões em todos os cinco trimestres entre o segundo trimestre de 2025 e o segundo trimestre de 2026.

A Petrobras distribuiu R$ 7,675 bilhões no 2T26, o equivalente a aproximadamente 42% dos R$ 18,1 bilhões pagos pelas 11 empresas. O valor superou, sozinho, a soma dos desembolsos de Bradesco, Santander Brasil e TIM.

Veja os maiores pagamentos realizados no trimestre

O ranking reúne empresas de petróleo, bancos, telecomunicações, seguros, infraestrutura de mercado, locação, shoppings, papel e celulose e siderurgia:

  • Petrobras (PETR3/PETR4): R$ 7,675 bilhões;
  • Bradesco (BBDC4): R$ 3,104 bilhões;
  • Santander Brasil (SANB11): R$ 1,738 bilhão;
  • TIM (TIMS3): R$ 1,153 bilhão;
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 1,061 bilhão;
  • Caixa Seguridade (CXSE3): R$ 990 milhões;
  • B3 (B3SA3): R$ 587 milhões;
  • Localiza (RENT3): R$ 572 milhões;
  • Allos (ALOS3): R$ 454 milhões;
  • Klabin (KLBN11): R$ 422 milhões;
  • Gerdau (GGBR4): R$ 363 milhões.

Bancos e Petrobras concentram mais de 80% dos proventos

Bradesco, Santander, Itaú, Caixa Seguridade e B3 somaram aproximadamente R$ 7,5 bilhões no trimestre. Quando esse montante é combinado com o pagamento da Petrobras, os dois grupos representam mais de 80% dos proventos distribuídos pelas 11 companhias.

A concentração reflete a capacidade de bancos e empresas de petróleo de gerar grandes volumes de caixa, mas não significa que os pagamentos sejam fixos. Lucro, investimentos, endividamento e decisões dos conselhos de administração influenciam quanto e quando cada empresa remunera os acionistas.

Valor pago em um trimestre pode variar muito

Os desembolsos das 11 companhias foram de R$ 8,5 bilhões no 2T25, saltaram para R$ 35,2 bilhões no quarto trimestre de 2025 e recuaram para R$ 10,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, antes de chegar aos R$ 18,1 bilhões do 2T26. A sequência mostra como o calendário de pagamentos pode alterar fortemente os números trimestrais.

Parte do pico no fim de 2025 ocorreu porque algumas empresas anteciparam distribuições antes de uma mudança na tributação dos dividendos. O Itaú, por exemplo, pagou R$ 20,7 bilhões no 4T25, mas desembolsou cerca de R$ 1 bilhão no 2T26.

O que observar antes de comparar as pagadoras

O levantamento se diferencia de um ranking de dividend yield, indicador que compara os proventos com o preço da ação. Uma empresa pode aparecer com rendimento elevado por causa de um pagamento extraordinário ou de uma queda na cotação, sem que isso represente uma distribuição recorrente.

Para avaliar a remuneração ao acionista, é necessário considerar a frequência dos pagamentos, a origem do lucro, a saúde financeira e a política de distribuição. O ranking do 2T26 mostra quem efetivamente colocou dinheiro nas contas dos investidores, mas os resultados dos próximos trimestres dependerão da geração de caixa e das decisões de cada companhia.