A Aneel abriu nesta terça-feira (8) a consulta pública para o primeiro leilão de transmissão de 2027, estimado em R$ 12,9 bilhões e marcado para 30 de abril do próximo ano. O certame será o primeiro do país a incluir baterias em um lote de transmissão e terá 12 projetos distribuídos por 13 Estados e pelas cinco regiões brasileiras.
Consulta ficará aberta até outubro
A consulta pública receberá contribuições de empresas do setor elétrico e da sociedade civil entre 10 de setembro e 26 de outubro. A etapa permite sugestões e questionamentos antes da publicação das regras definitivas do leilão.
Os projetos somam 3.245 quilômetros de novas linhas e 1.386 MVA de capacidade de transformação. O MVA é uma medida usada para indicar a capacidade de equipamentos que elevam ou reduzem a tensão da eletricidade, como subestações e transformadores.
Os ativos passam por Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo. Em 11 dos 12 lotes, as concessões terão duração de 30 anos, com prazo de construção e início da operação comercial entre 36 e 60 meses.
Como funcionará o lote com baterias
A novidade está no Lote 5, que exigirá um sistema de armazenamento para aumentar a confiabilidade do atendimento a Cruzeiro do Sul e Feijó, no Acre. O equipamento terá 100 megawatts de potência e 200 MWh de capacidade. Na prática, poderá guardar energia e entregá-la à rede quando houver necessidade, ajudando a equilibrar o fornecimento local.
O projeto também terá inversores com tecnologia de formação de rede, conhecida pela expressão em inglês “grid-forming”. Esses equipamentos conseguem estabelecer e regular, de forma autônoma, a frequência e a tensão da rede elétrica, funções importantes em sistemas mais isolados ou sujeitos a oscilações.
O prazo da concessão será diferente dos demais: 18 anos. A Aneel considerou o ciclo de vida dos equipamentos e a evolução tecnológica das baterias. A empresa vencedora deverá prever investimentos para manter a capacidade e a disponibilidade do sistema durante todo o contrato.
Interligação com a Bolívia volta ao planejamento
O Lote 11 incluirá o projeto de interligação elétrica entre Brasil e Bolívia. A proposta havia sido retirada do leilão previsto para outubro de 2026, após a área técnica apontar falta de informações sobre o sistema elétrico boliviano e dúvidas sobre os prazos para conclusão das obras.
Desde então, autoridades dos dois países trabalham na definição de um cronograma e no levantamento de dados adicionais. A inclusão definitiva do lote ainda depende da definição das instalações no Plano de Outorgas e do cumprimento de requisitos institucionais ligados ao acordo internacional.
O projeto também prevê obras para reforçar o atendimento elétrico em Mato Grosso do Sul, ampliando a capacidade remanescente de geração no Estado e criando a conexão internacional.
O que o leilão representa para o setor
Leilões de transmissão concedem à iniciativa privada o direito de construir e operar linhas, subestações e outros equipamentos por um período definido. Em troca, a empresa assume os investimentos e a operação dos ativos, enquanto a infraestrutura passa a integrar a rede que transporta energia entre regiões e centros consumidores.
Com 12 lotes e quase R$ 13 bilhões previstos, o certame reúne projetos de expansão convencional da rede e uma solução de armazenamento ainda inédita nesse tipo de disputa no Brasil. A combinação pode ampliar a capacidade de transporte de eletricidade e testar um modelo para atender áreas em que linhas tradicionais não são suficientes para garantir estabilidade.
Próximos passos para empresas e consumidores
Para as empresas interessadas, o próximo marco é a consulta pública, que poderá alterar detalhes técnicos e regulatórios dos lotes antes da disputa de abril de 2027. No caso das baterias, os critérios de desempenho e manutenção serão especialmente relevantes porque o contrato exige disponibilidade do equipamento durante toda a concessão.
Para quem consome energia, o efeito esperado é indireto e de prazo mais longo: obras de transmissão podem reduzir limitações da rede e melhorar a segurança do fornecimento. O avanço do projeto, porém, dependerá da conclusão da consulta, da publicação do edital e do cumprimento dos cronogramas de implantação.
Impacto para a sociedade
O leilão pode melhorar a confiabilidade do fornecimento de energia, especialmente no Acre, ao reforçar a rede e instalar baterias capazes de atuar quando necessário. As obras também movimentam investimentos em 13 Estados e podem ampliar a infraestrutura necessária para transportar eletricidade até consumidores e empresas.
