A Shein perdeu cerca de US$ 5 bilhões em valor de mercado desde sua oferta pública inicial (IPO) em Hong Kong, passando de aproximadamente US$ 26 bilhões para US$ 21 bilhões. O movimento coloca a varejista de moda rápida entre os piores desempenhos de uma grande estreia na bolsa local e aumenta as dúvidas sobre sua capacidade de voltar a crescer no ritmo registrado durante a pandemia.
Queda acumulada supera recuperação de segunda-feira
As ações subiram 3,2% na segunda-feira, no primeiro avanço desde o IPO. Mesmo assim, encerraram os cinco primeiros pregões com queda acumulada de 19% em relação ao preço de oferta, fixado em HK$ 48,56. Na estreia, os papéis chegaram a recuar 10% durante o pregão, antes de reduzir as perdas para 0,1% no fechamento, a HK$ 48,50.
Entre empresas que levantaram pelo menos US$ 1 bilhão em uma listagem em Hong Kong, esse foi o segundo pior desempenho nas cinco primeiras sessões. O resultado ficou atrás apenas da queda de 19,9% registrada pela Baidu. A desvalorização das ações reduz diretamente o valor de mercado, que corresponde ao preço dos papéis multiplicado pela quantidade de ações em circulação.
Investidores questionam crescimento e rentabilidade
A abertura de capital não eliminou as preocupações sobre a situação operacional da Shein. A empresa teve prejuízo de US$ 99 milhões no primeiro trimestre, ante lucro de US$ 395 milhões no mesmo período do ano anterior. A diferença mostra que o crescimento das vendas não tem se convertido na mesma proporção em resultado para a companhia.
A receita avançou 8% em 2025, desacelerando em relação à alta de 21% registrada em 2024 e ficando abaixo da meta da empresa. Para os investidores, a combinação de expansão mais lenta e margens pressionadas dificulta justificar uma avaliação elevada, especialmente depois que a Shein chegou a ser estimada em cerca de US$ 100 bilhões durante o auge do comércio eletrônico na pandemia.
Tarifas e logística aumentam a pressão sobre o negócio
A Shein opera com vendas internacionais e depende de uma cadeia de fornecimento e distribuição capaz de entregar produtos baratos em diversos mercados. Nesse modelo, tarifas, custos de logística e mudanças regulatórias podem reduzir a margem de lucro ou obrigar a empresa a elevar preços, afetando sua competitividade.
Também há obstáculos ligados à execução da transição para um novo ambiente de mercado. Regulamentações mais rigorosas e alterações nas regras do comércio transfronteiriço tornam menos previsível o modelo que sustentou a rápida expansão da varejista. A avaliação de analistas é que esses fatores específicos da companhia explicam a maior parte da queda.
Concorrência e mudança no foco do mercado
A Shein também enfrenta uma disputa mais intensa no comércio eletrônico global. O enfraquecimento do consumo em relação ao período de isolamento social reduziu o impulso que favorecia empresas digitais, enquanto concorrentes continuam pressionando preços, prazos e variedade de produtos.
Ao mesmo tempo, o capital dos investidores tem se concentrado mais em empresas ligadas à inteligência artificial e à robótica. Essa preferência não explica sozinha o desempenho da Shein, mas amplia a fraqueza de negócios tradicionais de comércio eletrônico, que precisam apresentar crescimento e rentabilidade mais consistentes para atrair recursos.
O que a queda sinaliza para investidores
O desempenho da Shein mostra que uma oferta pública inicial não garante uma valorização imediata. Mesmo uma marca conhecida e associada a forte expansão pode enfrentar pressão quando o mercado passa a avaliar com mais rigor lucro, custos, regulação e capacidade de crescimento.
Para quem acompanha a empresa, os próximos pontos de atenção são a evolução das receitas, a recuperação da rentabilidade e o efeito de tarifas e despesas de distribuição. A cotação continuará refletindo tanto esses indicadores quanto a disposição global dos investidores de financiar empresas de comércio eletrônico diante da preferência atual por outros segmentos de tecnologia.
