Smartphones e videogames ficaram até sete vezes mais caros que a inflação no Brasil em alguns dos lançamentos recentes. O Galaxy Ultra subiu 33,3% entre 2024 e 2025, enquanto o IPCA acumulado em 2024 foi de 4,83%; o PlayStation 5 avançou 13,3% em 2026, diante de uma inflação de 4,26% em 2025. A alta reflete principalmente o encarecimento de componentes, com destaque para a memória.
Galaxy Ultra lidera os reajustes entre os aparelhos
O Galaxy S24 Ultra de 256 GB chegou ao mercado brasileiro em janeiro de 2024 por R$ 8.999. Um ano depois, o S25 Ultra, na mesma capacidade, passou a custar R$ 11.999. O aumento nominal de R$ 3.000 foi quase sete vezes superior à inflação oficial registrada no ano anterior.
O caso mostra como o preço de produtos tecnológicos pode se descolar do custo médio de vida. Mesmo com a inflação brasileira encerrando 2025 em 4,26%, a menor taxa desde 2018, o consumidor encontrou aumentos muito maiores em categorias específicas.
PS5 também subiu em meio à inflação mais baixa
Em abril de 2026, a Sony elevou o preço sugerido do PlayStation 5 com leitor de disco de R$ 4.499,90 para R$ 5.099,90. A alta de R$ 600, ou 13,3%, superou em quase três vezes a inflação média anual brasileira dos dois anos anteriores.
A justificativa apresentada pela empresa foi a escassez global de chips de memória. Quando esses componentes ficam mais caros, o custo de fabricação aumenta e pode ser repassado ao preço final, mesmo sem mudança no produto ou em sua configuração.
Memória mais cara chega ao notebook no meio do ciclo
O MacBook Neo de 256 GB teve um reajuste particularmente direto. Em junho de 2026, o preço passou de R$ 7.299 para R$ 8.499, uma elevação de 16,4%, sem troca de geração ou alteração de hardware.
A Apple atribuiu o movimento ao aumento rápido e expressivo no preço dos componentes. O episódio indica que a pressão sobre a memória RAM não se limita a lançamentos: ela também pode provocar aumentos em produtos que já estavam à venda.
Nem todos os aumentos representam o mesmo custo
O iPhone teve altas mais moderadas. O modelo de 128 GB passou de R$ 7.299 em 2023 para R$ 7.799 em 2024, avanço de 6,9%. Entre 2024 e 2025, o preço subiu de R$ 7.799 para R$ 7.999, ou 2,6%.
Há, porém, uma diferença importante nessa comparação: o iPhone 17 dobrou o armazenamento inicial, de 128 GB para 256 GB. Por isso, embora o preço nominal tenha permanecido quase estável, o custo por gigabyte caiu. Já o Kindle básico foi de R$ 499 em 2022 para R$ 599 em 2024, aumento de 20% em dois anos, contra inflação acumulada próxima de 9,5% no período.
O que muda para o consumidor e os próximos preços
Os números mostram que acompanhar apenas o IPCA não basta para medir o custo de trocar um aparelho. Componentes importados, capacidade de armazenamento e mudanças de geração podem alterar significativamente o valor pago, mesmo quando a inflação geral está desacelerando.
A escassez global de memória tende a continuar sendo um fator de pressão sobre celulares, consoles e computadores. Para quem consome, o efeito prático é um desembolso maior ou o adiamento da compra; para quem investe em empresas do setor, os reajustes podem afetar demanda e custos, mas não determinam sozinhos o desempenho de cada companhia.
Impacto para a sociedade
O aumento encarece a troca de celulares, computadores e consoles para as famílias, mesmo quando a inflação geral desacelera. A pressão também pode reduzir o acesso a produtos eletrônicos e levar consumidores a adiar compras ou buscar modelos mais baratos.
