O HackTown 2026 deve receber 15 mil visitantes entre 3 e 7 de setembro em Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas Gerais, e movimentar cerca de R$ 40 milhões na economia local. O valor representa uma alta de aproximadamente 14% em relação aos R$ 35 milhões gerados pela edição anterior e reforça o peso do festival para uma cidade de cerca de 40 mil habitantes.

Festival transforma a cidade em um polo temporário de negócios

Em sua décima edição, o evento reúne milhares de palestras, debates e atividades ligadas a negócios, carreiras, cultura e tecnologia. A programação ocorre em escolas, restaurantes, padarias, lojas e outros espaços espalhados pelo município, em vez de ficar restrita a um centro de convenções.

Na prática, o fluxo de visitantes aumenta a demanda por hospedagem, alimentação, transporte, comércio e serviços diversos. Também amplia a exposição de empresas e projetos locais a empreendedores, profissionais e potenciais parceiros que chegam de outras regiões e de fora do país.

Como os R$ 40 milhões circulam na economia local

O impacto econômico de um evento desse porte ocorre por meio do gasto direto dos visitantes e dos participantes contratados para a realização das atividades. Hotéis e imóveis destinados à hospedagem recebem mais reservas, enquanto restaurantes, bares, motoristas, comerciantes e fornecedores trabalham com uma demanda acima da rotina.

Parte desse dinheiro continua circulando na própria cidade quando os estabelecimentos pagam funcionários, compram insumos e contratam outros serviços. Por isso, o efeito não se limita à receita do festival: ele alcança diferentes setores durante os cinco dias de programação.

Por que Santa Rita é conhecida como Vale da Eletrônica

A relação do município com a tecnologia começou antes do HackTown. Em 1959, Luzia Rennó Moreira, conhecida como Sinhá Moreira, criou a Escola Técnica de Eletrônica Francisco Moreira da Costa, instituição que ajudou a formar profissionais especializados.

Em 1965, o Instituto Nacional de Telecomunicações, o Inatel, criou uma escola de Engenharia de Telecomunicações. A combinação entre formação técnica e mão de obra qualificada atraiu empresas e criou as bases do ecossistema de inovação local.

Mais de 160 empresas sustentam o ecossistema tecnológico

Santa Rita do Sapucaí reúne atualmente mais de 160 empresas de tecnologia e dezenas de startups, ao lado de atividades tradicionais como serviços e produção de café. O setor tecnológico participa de áreas como câmeras e alarmes de segurança, internet 5G, televisão digital e automação industrial.

O apelido “Vale da Eletrônica” foi criado no fim dos anos 1980, em uma tentativa de recuperar a economia municipal e atrair novas companhias. Com o tempo, empresas da cidade passaram a exportar e a desenvolver soluções usadas em diferentes mercados.

O que o evento deixa depois de 7 de setembro

Além da receita concentrada nos dias do festival, o HackTown pode produzir efeitos mais duradouros ao aproximar empresas, estudantes, investidores e profissionais. A circulação de conhecimento e contatos pode favorecer contratações, parcerias e novos negócios, embora esses resultados dependam de iniciativas que avancem depois do evento.

Para quem trabalha ou empreende na cidade, a edição de 2026 representa uma oportunidade de atender uma demanda excepcional e apresentar produtos e serviços a um público maior. Para os visitantes, o festival oferece acesso a debates e conexões; para Santa Rita, consolida a imagem de polo tecnológico e amplia a importância da inovação para a economia local.

Impacto para a sociedade

A movimentação deve beneficiar diretamente hotéis, restaurantes, lojas, transportes e prestadores de serviços de Santa Rita do Sapucaí, gerando renda para trabalhadores e empresas locais. O efeito, porém, é concentrado na cidade e nos municípios próximos, sem impacto relevante sobre o custo de vida ou o emprego no país como um todo.