O fundo Verde, de Luis Stuhlberger, aumentou sua exposição a ações em agosto depois de identificar uma mudança na percepção do mercado sobre as eleições brasileiras. Para a gestora, pesquisas passaram a indicar uma disputa mais competitiva do que se esperava, alterando os preços dos ativos e tornando a bolsa mais atraente do que a renda fixa diante das possibilidades para a política econômica do próximo governo.
Pesquisas mudaram a leitura sobre a eleição
Na carta mensal, a Verde Asset afirmou que o ciclo eleitoral entrou em uma fase mais intensa e caótica. A avaliação é que parte dos investidores apostava em um cenário político mais previsível, mas começou a rever essa posição à medida que as pesquisas apontaram uma corrida mais apertada.
Essa mudança de percepção influencia os preços porque os investidores tentam antecipar os efeitos de cada possível resultado sobre gastos públicos, impostos, regulação, empresas e crescimento econômico. Quando o cenário considerado provável perde força, ações e outros ativos passam a incorporar novas possibilidades para o próximo governo.
Bolsa ensaiou alta relevante a partir de agosto
Segundo a gestora, o mercado acionário começou a refletir essa reavaliação a partir da metade de agosto. Na última semana, o Ibovespa avançou de 175 mil para 185 mil pontos, encerrando o período com alta de 5,4%.
O movimento, porém, não representa uma aposta indiscriminada em todas as empresas listadas. A Verde afirmou que continua identificando oportunidades específicas em setores que ainda carregam um prêmio de risco elevado — uma remuneração adicional exigida pelos investidores diante das incertezas.
Gestora mantém opções para capturar cenários favoráveis
Além de elevar a exposição direta à renda variável, a Verde manteve posições compradas em opções. Esses contratos permitem obter ganhos caso determinado ativo suba, com um desembolso inicial menor do que a compra direta das ações, embora também envolvam riscos e possam perder valor rapidamente.
A estratégia busca explorar uma possível valorização de papéis que ainda estariam negociados com desconto em relação ao potencial de alta caso o ambiente eleitoral evolua de forma favorável ao mercado. Portanto, a posição combina exposição à bolsa com uma seleção de setores e empresas, em vez de simplesmente acompanhar todo o índice.
Por que a renda fixa ficou fora da estratégia
O movimento chama atenção porque ocorre enquanto títulos públicos atrelados à inflação e parte do crédito privado oferecem retornos elevados. Mesmo com os juros reais — acima da inflação — em níveis historicamente altos, a Verde declarou não ter posições direcionais relevantes em juros locais.
Na avaliação da gestora, o retorno potencial dos títulos não compensa os riscos neste momento. Em termos práticos, isso significa que a casa considera mais favorável a relação entre possível ganho e risco em ações do que em uma grande aposta na renda fixa, apesar dos rendimentos disponíveis nesse mercado.
Desempenho do Verde e próximos fatores de risco
O aumento da exposição à bolsa contribuiu para o desempenho do Verde FIF CIC Multimercado RL, que subiu 1,98% em agosto, ante avanço de 1,09% do CDI no mesmo mês. No acumulado de 2026, o fundo registra alta de 10,33%, enquanto o CDI soma 9,33%. A gestora informou que os ganhos mais relevantes também vieram de posições em ouro, prata e bolsa global.
A tese, contudo, depende da continuidade da reprecificação eleitoral e da forma como novas pesquisas e acontecimentos políticos serão absorvidos pelos preços. Para quem acompanha o mercado, os próximos movimentos da disputa podem aumentar a volatilidade e alterar novamente a preferência entre ações, juros e outros ativos.
