Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro aparecem empatados em 44% das intenções de voto no segundo turno, e o presidente pretende reagir com atos em grandes colégios eleitorais e com a aprovação de projetos no Congresso. O resultado representa uma piora em relação ao início da campanha, quando Lula tinha 45% contra 43% do senador, em 16 de agosto.
Empate reduz vantagem que Lula tinha no início da campanha
Os números fazem parte de um agregador de pesquisas, que reúne levantamentos para reduzir o efeito das oscilações de uma pesquisa isolada. A mudança de 45% para 44% de Lula pode parecer pequena, mas o avanço de Flávio, de 43% para 44%, eliminou a vantagem numérica do presidente na disputa projetada para o segundo turno.
A campanha petista esperava usar a primeira metade do período eleitoral para apresentar resultados positivos do governo e chegar à segunda etapa com distância do principal adversário. A avaliação interna, porém, é que o saldo até agora foi negativo, em razão da queda nas pesquisas e da sucessão de notícias desfavoráveis.
Atos em grandes colégios eleitorais são a primeira resposta
A estratégia de reação prevê mobilização presencial em regiões com grande concentração de eleitores. O ato realizado em São Bernardo do Campo, em 16 de agosto, procurou recuperar a imagem de Lula como líder sindical e metalúrgico do ABC paulista. A ideia agora é ampliar esse tipo de agenda para outros grandes colégios eleitorais.
A campanha também pretende associar o presidente a pautas capazes de produzir efeitos concretos no cotidiano. Entre as medidas citadas estão o fim da chamada taxa das blusinhas e o projeto que acaba com a escala de trabalho 6×1. A aprovação dessas propostas dependerá do Congresso e pode dar ao governo uma agenda positiva em meio à disputa.
Crise no Supremo aumenta risco de desgaste político
O principal fator novo no ambiente eleitoral é a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), que tem como pano de fundo o escândalo do Banco Master. A divulgação de trechos de investigações da Polícia Federal alimentou questionamentos sobre relações entre o banqueiro Daniel Vorcaro e um contato atribuído ao ministro Alexandre de Moraes.
Como Moraes é percebido por parte da opinião pública como próximo de Lula, o desgaste do ministro pode atingir indiretamente o presidente. A avaliação de aliados da campanha é que o episódio fortalece o sentimento antissistema, definido como a rejeição generalizada às instituições e aos políticos que estão no poder.
Em 3 de setembro, Lula pediu que o presidente do STF e a Procuradoria-Geral da República conduzissem um processo capaz de preservar a confiança nas investigações. Sem citar nomes, defendeu que todos fossem investigados, sem blindagem, e afirmou que a democracia não poderia ficar refém de vazamentos seletivos.
Notícias sobre Lulinha também pressionam o governo
A campanha esperava algum alívio depois de dias de pressão provocados pela divulgação de trechos de investigações sobre Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha. A expectativa era substituir esse noticiário por medidas aprovadas no Congresso, mas a crise no STF interrompeu a tentativa de mudança de foco.
O desafio do governo é transformar projetos em resultados políticos antes que a eleição avance. A dependência do Congresso limita a autonomia da campanha: mesmo quando uma proposta é defendida pelo Planalto, sua aprovação exige negociação com os partidos e pode sofrer alterações durante a tramitação.
O que observar na próxima etapa da disputa
Para quem acompanha a eleição, os próximos sinais serão a capacidade de Lula de reunir público nos grandes centros eleitorais, a evolução do empate de 44% e o andamento das propostas no Congresso. Também será relevante verificar se a crise no STF continuará dominando o noticiário ou se perderá força diante de outras pautas.
O empate não define o resultado, mas mostra que a vantagem registrada no começo da campanha desapareceu. Na prática, Lula terá de combinar exposição nas ruas, defesa de medidas com impacto sobre trabalho e consumo e uma resposta institucional à crise judicial, enquanto tenta impedir que o ambiente de insatisfação seja capturado pelo adversário.
