As ações do Magazine Luiza (MGLU3) subiram 5,4% na semana, em um movimento de forte recuperação que acompanhou o avanço do Ibovespa. O índice acumulou alta de 5,4% no período e encerrou a sexta-feira (4) aos 185.147,15 pontos, enquanto apenas quatro ações terminaram a semana no vermelho. O resultado refletiu a volta do fluxo estrangeiro e a influência crescente das eleições sobre os preços dos ativos brasileiros.
Ibovespa engata segunda semana seguida de ganhos
O principal índice da bolsa brasileira acumulou a segunda semana consecutiva de valorização. No mercado de câmbio, o dólar à vista fechou a semana a R$ 5,1308, com queda de 1,26% no período.
Para Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, o avanço do calendário eleitoral levou os investidores a reavaliar as expectativas para a condução da política fiscal a partir de 2027. Com isso, diminuiu o chamado prêmio de risco, que é a remuneração adicional exigida para investir em ativos de um país percebido como mais arriscado.
Esse movimento também foi acompanhado pelo retorno expressivo de recursos estrangeiros à bolsa brasileira. Quando esse dinheiro entra, aumenta a demanda por ações e pode impulsionar tanto o Ibovespa quanto papéis específicos, sobretudo os que já vinham muito pressionados.
Pesquisas eleitorais aumentam a aposta em mudança de governo
As pesquisas de intenção de voto, que apontaram empates técnicos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno, passaram a influenciar as decisões dos investidores. Parte do mercado interpretou os números como sinal de possibilidade de troca de governo em 2027.
Lula é visto com desconfiança por uma parcela dos investidores, principalmente devido às preocupações com o controle das contas públicas. Uma política fiscal mais expansionista pode elevar a percepção de risco, pressionar a inflação e dificultar a trajetória dos juros, afetando o valor presente das empresas e o custo de crédito na economia.
Também avançaram no Congresso pautas consideradas favoráveis ao governo, como a medida provisória que encerra a chamada “taxa das blusinhas” e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. As discussões, porém, ainda fazem parte do ambiente político que influencia as expectativas do mercado.
Magalu combina parceria comercial e queda dos juros futuros
A alta de 5,4% da Magazine Luiza foi associada a dois fatores principais. O primeiro foi o anúncio de uma parceria com o Mercado Livre (MELI34), que pode ampliar as possibilidades comerciais da varejista e fortalecer sua atuação no comércio eletrônico.
A companhia também colocou iFood, 99 e Keta na mira e anunciou o Magalu Delivery, voltado à entrega de comida. A estratégia sugere uma busca por frentes mais especializadas, em vez de depender apenas de um modelo amplo de marketplace, plataforma que reúne vendedores e produtos de terceiros.
O segundo fator foi o alívio na curva de juros futuros, que representa as taxas negociadas para períodos à frente. Quando essas taxas caem, diminui o custo esperado de financiamento e aumenta o valor atribuído a empresas cujos resultados estão mais concentrados no futuro, como é comum no varejo.
BofA muda avaliação sobre as ações da varejista
O Bank of America elevou em dois níveis sua recomendação para MGLU3, passando de venda para compra. A instituição avaliou que a Magazine Luiza parece estar alterando sua estratégia, deixando um modelo de marketplace amplo e caro para adotar conceitos mais especializados.
A mudança de percepção ajudou a reforçar a reação positiva do papel, em um momento no qual a combinação entre juros futuros mais baixos, fluxo estrangeiro e expectativas eleitorais favoreceu ações domésticas e mais sensíveis ao custo de capital.
Payroll dos EUA limita o alívio nos mercados
No exterior, o relatório de empregos dos Estados Unidos, o payroll, mostrou a criação de 162 mil vagas em agosto, acima da expectativa de 55 mil. A taxa de desemprego ficou estável em 4,1%, e os dados de junho e julho foram revisados para cima.
Os números reforçaram a possibilidade de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos. Em 4 de setembro, o FedWatch indicava 58,4% de chance de alta de 0,25 ponto percentual pelo Federal Reserve em 16 de setembro, contra 41,6% de probabilidade de manutenção da taxa entre 3,50% e 3,75%.
O próximo dado decisivo será a inflação americana, especialmente o índice de preços ao consumidor. No Brasil, os investidores devem continuar acompanhando as pesquisas eleitorais, o fluxo estrangeiro, as discussões fiscais e a reação das empresas ao ambiente de juros.
