O Banco do Brasil (BBAS3) teve o preço-alvo reduzido pela XP para R$ 21, com corte também na expectativa de dividendos e recomendação neutra mantida. Ao mesmo tempo, o BTG Pactual ajustou carteiras que identificam até 65% de potencial de alta em ações, enquanto um fundo imobiliário da Kinea se prepara para deixar a B3 antes do fim de 2026.

XP vê pouco espaço para a ação do Banco do Brasil

O novo preço-alvo da XP representa potencial de queda de 1,2% em relação ao fechamento de R$ 21,26 registrado antes da análise. A instituição manteve a recomendação neutra, sinalizando que, na avaliação dos analistas, o equilíbrio entre riscos e possíveis ganhos não justifica uma visão mais otimista neste momento.

A ação vinha próxima das mínimas desde 2023 depois da divulgação do balanço, mas ganhou força com o chamado “trade eleitoral”, movimento em que investidores ajustam posições conforme expectativas para a disputa política e seus possíveis efeitos sobre empresas estatais. Desde então, o papel acumulou alta superior a 20%, segundo a análise.

Medidas para produtores podem reduzir risco de crédito

Apesar da revisão negativa no preço-alvo e nos dividendos, a XP reconhece alguma melhora no ambiente operacional. A MP 1.376 funcionou como uma espécie de apoio financeiro a produtores rurais endividados, o que pode diminuir a pressão sobre clientes do banco.

O efeito esperado é uma melhora na qualidade dos ativos e uma redução do custo de risco — indicador que representa quanto o banco precisa provisionar para cobrir possíveis calotes — nos próximos trimestres. Isso pode ajudar os resultados, mas não elimina as incertezas que levaram à revisão das estimativas.

BTG mantém dez ações com potencial de até 65%

O BTG Pactual também fez ajustes em sua carteira recomendada de ações para setembro. A estratégia considera que os juros de longo prazo e os preços das ações já incorporam uma parcela relevante do risco fiscal, enquanto o real ainda não refletiu completamente esse cenário.

Na avaliação do banco, um eventual ajuste fiscal poderia reduzir os juros de longo prazo e favorecer empresas cujos resultados dependem mais intensamente de receitas e fluxos de caixa futuros. Se a situação fiscal continuar piorando, porém, a pressão sobre o real tende a aumentar. A carteira reúne dez ações com potencial de alta de até 65%, conforme as estimativas apresentadas.

Fundo da Kinea encerra negociação na B3

As cotas do Kinea Premium Properties (KNPR11) deixarão de ser negociadas no mercado secundário da B3 a partir de 21 de setembro de 2026. O fundo foi criado com duração de quatro anos e tem encerramento previsto para o fim deste ano.

Nos últimos meses, a Kinea vendeu uma parcela substancial dos ativos da carteira. A etapa atual é concluir o desinvestimento e devolver aos cotistas os recursos remanescentes. Depois da suspensão das negociações, a liquidez das cotas deixa de funcionar como em um fundo listado normalmente.

Carteira de dividendos troca Copasa por Sanepar e Sabesp

Na carteira de dividendos para setembro, o BTG retirou Copasa (CSMG3) e incluiu Sanepar (SAPR11) e Sabesp (SBSP3). A seleção também contempla Itaú (ITUB4) e Petrobras (PETR4), com dividendos projetados de até 13% entre os papéis acompanhados.

A Sabesp teve os resultados pressionados por despesas maiores com marketing e atendimento telefônico, enquanto suas ações acumulavam queda de cerca de 15%. No caso de Banco do Brasil, o corte na expectativa de dividendos reforça que a remuneração ao acionista depende não apenas do lucro, mas também da percepção sobre riscos e capacidade futura de geração de caixa.

Para quem acompanha o mercado, os próximos pontos de atenção são a evolução do crédito rural no Banco do Brasil, a execução do plano de financiamento da CSN e os efeitos das condições fiscais sobre juros e câmbio. As estimativas das instituições são cenários de análise, não garantias de desempenho dos ativos.