As bolsas de Nova York oscilavam entre a estabilidade e a queda no fim da manhã desta sexta-feira (4), após o payroll de agosto reforçar as apostas de que o Federal Reserve (Fed) poderá manter ou elevar os juros nos Estados Unidos. O dado surpreendeu pelo vigor e provocou alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os Treàsuries, pressionando principalmente os índices mais sensíveis às condições financeiras.
Índices de Nova York recuam após dado de emprego
Por volta das 11h20, no horário de Brasília, o Dow Jones caía 0,52%, aos 53.407,55 pontos. O S&P 500 recuava 0,27%, aos 7.726,73 pontos, enquanto o Nasdaq operava perto da estabilidade, com baixa de 0,10%, aos 26.558,76 pontos.
A reação foi mais negativa entre as ações tradicionais porque um mercado de trabalho aquecido pode dar espaço para o Fed manter uma política monetária restritiva por mais tempo. Já o Nasdaq teve perdas menores, apoiado por papéis ligados à inteligência artificial e a centros de dados, como a Nvidia.
Payroll cria 162 mil vagas, contra 55 mil esperadas
Os Estados Unidos abriram 162 mil postos de trabalho em agosto, segundo o relatório divulgado pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho americano. O resultado ficou muito acima da projeção de 55 mil vagas feita pelos economistas, uma diferença de 107 mil postos em relação ao consenso.
A taxa de desemprego, porém, permaneceu estável em 4,1%. A combinação de criação robusta de empregos com desemprego inalterado sinaliza que a atividade econômica continua resistente, o que pode dificultar uma redução rápida dos juros caso as autoridades ainda estejam preocupadas com a inflação.
Mercado aumenta aposta de alta de juros em setembro
Após a divulgação do payroll, a probabilidade de uma alta dos juros na reunião de setembro do Fed, acompanhada pelo instrumento de monitoramento do CME Group, subiu de 50,4% na quinta-feira para 60,4% nesta sexta-feira.
Essa precificação não representa uma decisão oficial do banco central, mas mostra como os investidores ajustaram suas expectativas. Juros mais altos elevam o retorno oferecido por ativos de renda fixa nos Estados Unidos e aumentam a taxa usada para avaliar empresas, especialmente companhias de tecnologia cujos resultados estão mais concentrados no futuro.
Por que os Treasuries subiram após o relatório
Os rendimentos dos Treasuries avançaram porque os investidores passaram a exigir uma remuneração maior diante da possibilidade de juros elevados por mais tempo. Quando os rendimentos sobem, os preços dos títulos já negociados tendem a cair, em um movimento inverso entre preço e retorno.
O movimento também aumenta a concorrência para as ações. Com títulos públicos americanos oferecendo retornos maiores, parte do mercado reduz a disposição para pagar preços elevados por ativos considerados mais arriscados. Esse mecanismo ajuda a explicar a pressão sobre Dow Jones e S&P 500 após o dado de emprego.
Trump pressiona o Fed por juros menores
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender uma redução dos juros depois da divulgação do payroll. Em uma publicação nas redes sociais, afirmou que, caso o Fed não corte a taxa, pretende interromper o comércio com países com os quais os Estados Unidos têm déficit.
Trump declarou que juros altos colocam os Estados Unidos em uma “desvantagem muito injusta”. A manifestação acrescenta pressão política sobre o banco central, mas a decisão sobre a taxa depende da avaliação do Fed sobre emprego, inflação e atividade econômica.
O que acompanhar nos mercados a partir de agora
Para quem investe, o principal efeito imediato é a revisão das expectativas para a política monetária americana e a possível continuidade da volatilidade em ações e títulos. O desempenho do Nasdaq dependerá de quanto os papéis de tecnologia conseguirão compensar o impacto de juros maiores, enquanto os Treasuries seguirão reagindo aos próximos indicadores econômicos.
O dado de agosto também passa a ser uma referência para a reunião de setembro do Fed. Até lá, os investidores devem observar se a força do mercado de trabalho será interpretada como sinal de resistência da economia ou como fator capaz de prolongar as pressões inflacionárias.
