O Ibovespa fechou quase estável aos 185.188 pontos nesta quinta-feira (3), enquanto o dólar terminou a R$ 5,105 e a CSNA3 subiu 6,35%. O resultado interrompeu uma sequência de 11 altas consecutivas da bolsa, em um pregão marcado pela realização de ganhos recentes, pela cautela com as pesquisas eleitorais e por sinais mistos no exterior.
Bolsa interrompe sequência de 11 altas
O principal índice da B3 recuou 0,01%, depois de ter avançado 3,05% na quarta-feira (2). Durante o pregão, o Ibovespa oscilou entre 184.718 e 188.892 pontos, mostrando que a aparente estabilidade no fechamento escondeu uma sessão de maior volatilidade. O volume financeiro negociado foi de R$ 23,21 bilhões.
Após uma sequência tão forte de valorização, parte dos investidores optou pela realização de lucros, movimento em que posições que subiram são reduzidas para transformar ganhos acumulados em dinheiro. Esse ajuste tende a pressionar o índice mesmo quando não há uma piora generalizada das perspectivas para as empresas.
Petrobras e Vale pesam sobre o índice
As ações de maior peso ligadas a commodities ficaram entre as principais pressões negativas. A ação ordinária da Petrobras (PETR3) caiu 1,79%, a R$ 52,58, enquanto a preferencial (PETR4) recuou 1,33%, a R$ 47,56. Foi a primeira queda dos papéis depois de cinco sessões consecutivas de alta.
A Vale (VALE3), que responde por cerca de 11% da carteira teórica do Ibovespa, perdeu 2,91%, a R$ 78,45. Petrobras, Vale e os bancos somam aproximadamente metade da composição do índice, de modo que oscilações nesses grupos podem neutralizar altas em outras empresas. Na direção oposta, o índice financeiro avançou 0,87%.
Troca no comando da CSN impulsiona ação
A CSN (CSNA3) foi o destaque positivo do dia, com alta de 6,35%, a R$ 6,38. A reação veio após o anúncio de que Benjamin Steinbruch deixará o cargo de diretor-presidente da companhia depois de 24 anos. Fabio Schvartsman, que comandou a Vale entre 2017 e 2019, assumirá a posição.
Também entre as maiores altas, a Hapvida (HAPV3) avançou 6,70%, a R$ 7,33. Na ponta negativa, a Prio (PRIO3) caiu 4,52%, a R$ 61,50, após divulgar produção diária consolidada de petróleo de 180 mil barris em agosto, queda de 5% ante julho. O Itaú BBA avaliou o dado como levemente negativo.
Pesquisas eleitorais mantêm volatilidade no radar
O chamado trade eleitoral, expressão usada para descrever a compra e venda de ativos com base nas expectativas para a disputa presidencial, perdeu força no pregão. Pesquisas divulgadas ao longo do dia mostraram cenários apertados em eventual segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
Na pesquisa PoderData/Aya, Flávio apareceu numericamente à frente, com 45% das intenções de voto contra 44% de Lula, dentro da margem de erro de 1,8 ponto percentual. Levantamento da Apex apontou empate técnico: Lula tinha 45,6% e Flávio, 45,2%. A leitura do mercado é que novas pesquisas podem provocar movimentos relevantes em ações, juros e câmbio ao longo de setembro.
Dólar e exterior limitam movimentos
O dólar à vista caiu 0,07%, para R$ 5,105, após oscilar entre R$ 5,071 e R$ 5,113. A moeda chegou a registrar perdas maiores durante a manhã, mas reduziu o recuo ao longo do dia. Variações pequenas no câmbio refletem o equilíbrio entre a cautela doméstica e o ambiente internacional.
Nos Estados Unidos, o mercado acompanhou a alta do petróleo, que se aproximou de US$ 100 por barril em meio às tensões entre Estados Unidos e Irã e aos riscos para o transporte no estreito de Ormuz. Também foram monitorados os pedidos iniciais de seguro-desemprego, que chegaram a 206 mil na semana encerrada em 29 de agosto, e o índice de serviços ISM, que subiu a 55,4 pontos em agosto.
Os dados reforçaram a percepção de uma economia americana resistente e influenciaram as expectativas para o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. Wall Street fechou em alta: Dow Jones ganhou 1,18%, S&P 500 avançou 1,06% e Nasdaq subiu 1,40%. O próximo foco será o relatório oficial de emprego, o payroll, previsto para sexta-feira (4).
