Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal (PF) que o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e outros integrantes da cúpula da autoridade monetária incentivaram a fusão entre o Banco Master e o BRB. A declaração, prestada em 28 de agosto de 2026, coloca sob novo escrutínio a condução das negociações que terminaram com a rejeição da operação pelo BC, em 3 de setembro de 2025.
O que Vorcaro relatou sobre a atuação do BC
Questionado sobre Paulo Sérgio Neves de Souza, funcionário do Banco Central, Vorcaro disse que a postura favorável à transação não era isolada. Ele citou também o diretor Ailton Aquino e Galípolo, afirmando que havia “concordância e incentivo” para a conclusão da fusão.
De acordo com o depoimento, as reuniões entre os envolvidos tinham caráter propositivo. Na versão apresentada pelo ex-controlador do Master, os encontros serviam para organizar a operação e resolver pontos necessários à aprovação, e não apenas para avaliar passivamente o pedido apresentado pelos bancos.
Por que a declaração é relevante um ano depois da rejeição
Uma fusão desse porte depende da autorização do Banco Central porque altera a estrutura de controle e pode concentrar riscos no sistema financeiro. A autoridade precisa avaliar a capacidade financeira dos envolvidos, a qualidade dos ativos, a governança e a proteção dos depositantes antes de permitir a operação.
A rejeição ocorreu depois de meses de negociações. Por isso, o relato de Vorcaro cria uma divergência entre a posição que ele atribui à cúpula do BC durante o processo e a decisão formal tomada posteriormente pela instituição. A declaração, porém, é uma alegação feita em depoimento e ainda depende de apuração e eventual comprovação.
BRB comprou R$ 12 bilhões em carteiras do Master
Mesmo sem a fusão, o BRB adquiriu R$ 12 bilhões em carteiras de crédito consideradas ruins do Master. O banco público de Brasília precisou reconhecer o valor como prejuízo e passou a enfrentar dificuldades financeiras.
O mecanismo é relevante porque a compra de créditos problemáticos transfere para o adquirente o risco de não recebimento. Quando esses ativos perdem valor ou deixam de gerar pagamentos, o banco precisa registrar provisões ou perdas, reduzindo seu resultado e seu patrimônio. Em um banco público, uma deterioração desse tipo também aumenta a pressão por medidas de recuperação e reforço financeiro.
Quem foi citado e quais são as respostas
Vorcaro prestou o depoimento por videoconferência a partir da Papudinha, onde está preso no âmbito da Operação Compliance Zero. Ele estava acompanhado dos advogados Sérgio Leonardo, Daniel Bialski e Thiago Machado.
A defesa do ex-controlador informou que não se manifestaria sobre os fatos relatados. Paulo Sérgio, Ailton Aquino, Galípolo e a assessoria do Banco Central foram procurados para comentar as declarações, mas não haviam respondido até a publicação do material.
O que o caso pode significar para investidores e para o BRB
Para quem acompanha bancos, o ponto central é a possível diferença entre as orientações discutidas durante a negociação e a decisão regulatória final. A investigação pode examinar documentos, reuniões e responsabilidades na estruturação da operação, além de avaliar como a compra das carteiras de crédito foi aprovada.
Investidores também devem acompanhar a evolução da situação financeira do BRB e os desdobramentos da apuração, sem confundir a acusação de Vorcaro com uma conclusão definitiva. O próximo passo depende das investigações da PF, das manifestações dos citados e de eventuais medidas das autoridades responsáveis pela supervisão do sistema financeiro.
Impacto para a sociedade
O caso pode afetar indiretamente a população do Distrito Federal porque envolve um banco público que reconheceu perdas bilionárias após comprar ativos do Master. Se a situação financeira do BRB exigir novas medidas, o impacto poderá alcançar a capacidade de o banco oferecer crédito e prestar serviços, embora o material não detalhe efeitos imediatos sobre contas ou empregos.
