A Safra Corretora modificou sua carteira Top 10 de ações para setembro, com a entrada de BTG Pactual (BPAC11), Caixa Seguridade (CXSE3) e Gerdau (GGBR4) no lugar de Itaúsa (ITSA4), Porto (PSSA3) e Motiva (MOTV3). A mudança reflete a expectativa de maior volatilidade, especialmente em empresas sensíveis aos juros e ao ciclo doméstico, com a aproximação das eleições.
Quais ações entraram e quais deixaram a seleção
O BTG Pactual passou a ter o maior peso individual da carteira, com 15%. A Caixa Seguridade recebeu participação de 10%, enquanto a Gerdau entrou com 5%. Os três papéis substituem Itaúsa, Porto e Motiva, que foram retirados da seleção de setembro.
A carteira também manteve Direcional (DIRR3), Petrobras (PETR4), Multiplan (MULT3) e Vale (VALE3). A composição reúne empresas de setores distintos, como serviços financeiros, construção, petróleo, mineração, shoppings, energia elétrica e bens de capital.
Como ficaram os pesos das dez posições
A WEG (WEGE3) teve sua participação elevada de 10% para 12%. A Equatorial (EQTL3) também passou de 10% para 12%, enquanto Vale caiu de 12% para 10% e Copel (CPLE3) foi reduzida de 10% para 8%.
- WEG: 12%;
- BTG Pactual: 15%;
- Caixa Seguridade: 10%;
- Direcional: 8%;
- Vale: 10%;
- Petrobras: 10%;
- Multiplan: 10%;
- Gerdau: 5%;
- Copel: 8%;
- Equatorial: 12%.
O peso indica a parcela que cada ação ocupa dentro da carteira teórica. Assim, a maior exposição passou a estar no BTG, enquanto a corretora distribuiu o restante entre companhias com diferentes fontes de receita e níveis de sensibilidade à economia brasileira.
Por que juros e eleições influenciam a estratégia
Ativos ligados ao ciclo doméstico tendem a reagir mais às expectativas para a economia brasileira. Juros elevados encarecem financiamentos, pressionam o consumo e podem reduzir a demanda por imóveis, veículos e outros bens. Também aumentam a atratividade da renda fixa em relação à bolsa.
Em períodos eleitorais, mudanças nas pesquisas e nas expectativas sobre política econômica podem provocar oscilações nos juros futuros, no câmbio e nas ações. A avaliação do Safra é que esse ambiente exige uma postura de menor risco, com maior presença de empresas consideradas mais defensivas e de companhias com receitas em dólar.
Receitas dolarizadas e empresas pagadoras de dividendos
A exposição a receitas dolarizadas pode ajudar uma companhia quando o real se desvaloriza, pois parte do faturamento ou dos resultados acompanha a moeda americana. A Gerdau e a WEG, por exemplo, têm operações diversificadas, enquanto a Vale também está ligada ao mercado internacional de minério.
A corretora também destacou empresas pagadoras de dividendos e com beta baixo. Esse indicador mede quanto uma ação costuma oscilar em relação ao mercado: um beta menor sugere movimentos menos intensos que os do índice de referência, embora não elimine o risco de perdas.
Desempenho recente e o que observar em setembro
Em agosto, a carteira Top 10 do Safra subiu 0,07%, enquanto o Ibovespa recuou 0,33%. No acumulado de 2026 até o fim de agosto, a carteira avançou 11,63%, acima da valorização de 10,11% do principal índice da bolsa brasileira.
O desempenho passado não garante o resultado das novas posições. Para setembro, os principais fatores de acompanhamento serão a evolução das expectativas eleitorais, o comportamento dos juros e do câmbio e a reação das empresas aos ciclos doméstico e internacional. A alteração mostra como uma carteira recomendada pode mudar não apenas por resultados corporativos, mas também pela avaliação dos riscos macroeconômicos.
