Uma estratégia que combina a alta da bolsa americana com a renda fixa brasileira passou a ser oferecida em uma única carteira por meio do GOAT11, ETF da Itaú Asset. O fundo direciona 80% dos recursos ao IMA-B, índice de títulos públicos brasileiros atrelados à inflação, e os outros 20% ao S&P 500, permitindo reunir juros reais elevados no Brasil e exposição às maiores empresas dos Estados Unidos.
Como funciona a composição de 80% em renda fixa e 20% em ações
O ETF é um fundo negociado em bolsa que busca acompanhar uma determinada carteira ou índice. No caso do GOAT11, a maior parte do patrimônio fica em papéis públicos cuja remuneração combina a variação do IPCA com uma taxa de juros real. A parcela restante acompanha o S&P 500, índice formado por 500 grandes empresas listadas nos Estados Unidos.
Na prática, o investidor passa a ter duas fontes potenciais de retorno em uma só posição. A renda fixa representa a maior parte da exposição e tende a dar mais estabilidade à carteira, enquanto as ações americanas acrescentam participação no crescimento dos lucros corporativos e diversificação geográfica.
Por que o S&P 500 continua no radar em 2026
O S&P 500 acumulava alta de 12,3% em 2026 até o fim de agosto, mantendo desempenho positivo nos primeiros oito meses do ano. Entre os fatores que sustentavam o mercado estavam os resultados das empresas e as expectativas relacionadas aos investimentos em inteligência artificial.
Para o brasileiro, a exposição ao índice também reduz a dependência do desempenho da economia doméstica. Como as empresas são americanas e os ativos estão relacionados ao dólar, a parcela internacional pode reagir a fatores diferentes daqueles que movimentam os títulos públicos e as ações brasileiras.
O que os juros brasileiros acrescentam à estratégia
A Selic de 14% ao ano, mesmo após o início de um ciclo de cortes, mantém os juros brasileiros em patamar elevado. Os títulos indexados à inflação que compõem o IMA-B continuam oferecendo taxas reais relevantes, ou seja, uma remuneração acima da variação do IPCA, desde que mantidos sob as condições de mercado aplicáveis.
Essa parcela não depende apenas do recebimento de juros. Como os títulos são negociados antes do vencimento, seus preços variam conforme as taxas exigidas pelo mercado. É a chamada marcação a mercado: quando as taxas reais caem, os preços dos papéis tendem a subir, o que pode gerar valorização do índice.
Queda dos juros pode beneficiar a parte de renda fixa
Em um cenário de redução das taxas reais, o IMA-B pode contribuir para o desempenho do fundo tanto pela remuneração ligada à inflação quanto pelo ganho de preço dos títulos. Assim, a renda fixa não funciona necessariamente apenas como uma parcela defensiva ou de menor oscilação.
Ao mesmo tempo, os 20% investidos no S&P 500 preservam a possibilidade de participação em uma eventual continuidade da expansão dos lucros em Wall Street. As duas partes, porém, não sobem obrigatoriamente juntas: os títulos podem perder valor se as taxas reais aumentarem, enquanto as ações podem recuar diante de mudanças nos juros americanos ou nas expectativas para os resultados das companhias.
O efeito do dólar e o que acompanhar daqui para frente
A rentabilidade da parcela americana para quem investe em reais resulta da combinação entre a variação do S&P 500 e o câmbio. Se o dólar subir frente ao real, esse efeito pode ampliar o retorno convertido para a moeda brasileira. Se o real se valorizar, o impacto cambial pode reduzir o resultado dessa parcela, mesmo que as ações americanas avancem.
A composição 80/20, portanto, busca evitar que a carteira dependa de uma única tese: de um lado, juros reais ainda elevados e possível valorização dos títulos com a queda das taxas; de outro, crescimento das empresas americanas e diversificação internacional. Para o investidor, os pontos a observar são a trajetória da Selic e das taxas reais, o desempenho corporativo nos Estados Unidos e o comportamento do dólar.
