O ouro avançou cerca de 3% nesta quinta-feira (3), reagindo à queda dos rendimentos dos Treassuries, os títulos do governo dos Estados Unidos, e às declarações de Christopher Waller, diretor do Federal Reserve. As falas reduziram a percepção de que o banco central americano elevará os juros já na reunião de setembro, movimento que também pressionou o dólar e favoreceu o metal.

Contrato de ouro fecha a US$ 4.539,9 por onça-troy

Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York, o contrato mais líquido do ouro, com vencimento em dezembro, encerrou o pregão em alta de 2,84%, a US$ 4.539,9 por onça-troy. A unidade equivale a aproximadamente 31,1 gramas e é a referência usada no mercado internacional.

A prata para dezembro acompanhou o movimento e subiu 3,42%, para US$ 67,07 por onça-troy. A alta simultânea dos dois metais refletiu principalmente a mudança nas expectativas para a política monetária americana, e não uma alteração específica nas condições de oferta ou demanda física do ouro.

Por que a queda dos Treasuries ajudou o metal

Os rendimentos dos Treasuries recuaram depois das declarações de Waller. Quando esses juros caem, diminui o retorno oferecido por ativos considerados seguros e que pagam remuneração, como os títulos do governo americano. Isso reduz o chamado custo de oportunidade de manter ouro, que não gera juros nem dividendos.

A queda do dólar também contribuiu para a valorização. Como o ouro é negociado em moeda americana, um dólar mais fraco tende a tornar o metal relativamente mais barato para investidores que usam outras moedas, o que pode ampliar a demanda nos mercados globais.

O que Waller disse sobre a reunião de setembro

Waller afirmou que o Fed pode esperar mais uma reunião antes de alterar os juros, diante de sinais recentes de desaceleração da inflação. Ao mesmo tempo, declarou que apoiaria uma alta se os dados de agosto mostrarem reversão desse processo.

O mercado vinha precificando desde a última sexta-feira (28) uma elevação dos juros na reunião de setembro. Após a fala, essa possibilidade passou a ser considerada menos provável, embora não tenha sido eliminada. A próxima decisão está prevista para 16 de setembro.

Mercado ainda avalia o tom adotado pelo Fed

A reação rápida dos ativos indica que os investidores já demonstravam dúvidas sobre a disposição do banco central americano de adotar uma política mais restritiva ainda neste mês, na avaliação da Stifel Economics.

As declarações anteriores do presidente do Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole foram interpretadas como um alerta de que uma piora nos dados de inflação poderia levar a uma alta de juros. No entanto, não houve um cronograma definido nem um plano concreto para a melhora necessária dos preços antes do início de um ciclo de aperto monetário.

Payroll será o próximo teste para o ouro

As atenções agora se voltam para o payroll, relatório mensal de emprego dos Estados Unidos, que será divulgado amanhã. O documento pode alterar novamente as apostas para os juros, caso mostre um mercado de trabalho mais forte ou mais fraco do que o esperado.

Para quem acompanha o ouro, o próximo movimento dependerá da combinação entre emprego, inflação, dólar e rendimentos dos Treasuries. A alta desta quinta-feira mostra como o metal reage às expectativas sobre juros, mas não define sozinho a direção dos preços nas próximas sessões.