O ex-diretor-geral da Administração Tributária de São Paulo André Weiss e o advogado João André Buttini de Moraes foram presos nesta quinta-feira (3) na Operação Caldarium. A novidade da investigação é que áudios indicam um plano para lavar dinheiro de propina por meio da compra de uma sauna, enquanto os investigadores apontam que os dois estariam entre os líderes de um esquema para favorecer empresas na liberação de créditos tributários bilionários.
Prisão expõe suspeita de propina de R$ 4,5 milhões
Weiss ocupava o terceiro posto na hierarquia da Secretaria da Fazenda e Planejamento paulista e é suspeito de ter recebido R$ 4,5 milhões do grupo investigado. Buttini, que atuava como advogado, também foi preso por suspeita de participação na organização criminosa.
De acordo com a apuração, o grupo cobraria valores indevidos para interferir na análise e na liberação de créditos tributários. Esses créditos representam valores que empresas dizem ter direito de compensar ou receber do governo, após o reconhecimento de impostos pagos a mais ou de outras obrigações fiscais.
Como a compra de uma sauna entraria no esquema
Os áudios analisados pelos investigadores indicariam uma estratégia para dar aparência legal ao dinheiro obtido com propina. A compra de uma sauna seria usada como instrumento para movimentar ou ocultar os valores, caracterizando, em tese, uma operação de lavagem de dinheiro.
Na prática, a lavagem busca afastar os recursos de sua origem criminosa por meio de negócios, contratos ou aquisições que aparentem ser legítimos. A existência dos áudios e a interpretação sobre o papel da sauna ainda fazem parte da investigação e deverão ser examinadas durante o processo judicial.
Operação alcançou 47 endereços em São Paulo e MS
A ação do Ministério Público foi realizada em 47 locais na capital e no interior de São Paulo, além de endereços em Mato Grosso do Sul. O número inclui imóveis ligados aos investigados e a pessoas ou empresas que podem ter relação com o esquema.
A suspeita central é que a organização tenha atuado dentro de uma estrutura responsável por decisões fiscais de grande impacto financeiro. Caso confirmadas, as irregularidades podem prejudicar a concorrência entre empresas, beneficiar grupos específicos e reduzir a confiança nos procedimentos usados pelo poder público para reconhecer créditos.
Tarcísio chama suspeitas de fatos isolados
O governador Tarcísio de Freitas afirmou que os casos de corrupção envolvendo servidores da Fazenda são “fatos isolados”. Ele disse que não acredita que a operação comprometa a aprovação de sua gestão ou sua campanha à reeleição.
Segundo Tarcísio, Weiss, que é servidor de carreira, já havia sido afastado em maio, depois que o avanço da Operação Ícaro levantou suspeitas sobre sua possível participação em outro esquema. O governador afirmou ainda que cinco servidores da Fazenda foram demitidos, seis respondem a processos administrativos que podem levar ao desligamento e 17 estão afastados.
O que acontece agora para o governo e os investigados
A investigação deverá apurar a origem dos recursos, o alcance das decisões sobre créditos tributários e a eventual participação de outras pessoas e empresas. As prisões não representam condenação: os suspeitos ainda terão direito à defesa e os fatos precisarão ser comprovados no processo.
Para quem investe, o episódio reforça o risco institucional associado à falta de controles em órgãos públicos e à possibilidade de decisões fiscais serem distorcidas por interesses privados. Para o Estado, o próximo passo é preservar os processos tributários sob suspeita, recuperar eventuais valores desviados e demonstrar que a arrecadação e a concessão de créditos seguem critérios técnicos.
Impacto para a sociedade
O caso pode afetar a arrecadação e a qualidade dos serviços públicos se fraudes na análise de créditos tributários reduzirem recursos do Estado. Para a população, eventuais perdas no dinheiro público podem significar menos capacidade de financiar áreas como saúde, educação, segurança e infraestrutura.
