O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira, 3 de setembro, que não há uma crise generalizada no varejo brasileiro, embora o setor enfrente pressão dos juros elevados, do crédito mais caro e de mudanças nos hábitos de consumo. A avaliação foi apresentada após o fechamento ou os pedidos de recuperação judicial de grandes empresas do segmento.
Ministro vê transformação do mercado, não crise ampla
Durigan disse que o fechamento de uma loja não significa que o consumidor ficará sem opções. Segundo ele, os produtos continuam disponíveis em concorrentes e nos canais digitais, que ganharam espaço nas decisões de compra. O ministro citou ainda a relevância do debate sobre a chamada “taxa das blusinhas” como sinal da demanda por compras pela internet.
Para Durigan, as dificuldades recentes resultam de vários movimentos simultâneos. Ele mencionou alterações no mercado de crédito, mudanças no comportamento dos consumidores após a pandemia e a perda de espaço dos cartões próprios de grandes varejistas, que eram mais usados no passado.
Como os juros afetam lojas e consumidores
O ministro reconheceu que a taxa de juros prejudica o varejo, especialmente porque muitas empresas trabalham com margens de lucro pequenas e dependem de crédito para manter suas atividades. Quando o custo do dinheiro aumenta, ficam mais caras as operações de financiamento, a manutenção de estoques e a expansão dos negócios.
O efeito também chega diretamente ao consumidor. A compra de itens como sofás e móveis costuma ser parcelada ou financiada para evitar um desembolso imediato elevado. Com juros maiores, as prestações sobem, a renda disponível diminui e parte das famílias adia a compra, reduzindo o consumo e as vendas das lojas.
Mudanças nos hábitos ampliaram a pressão
A pandemia acelerou alterações no padrão de consumo, segundo Durigan. O avanço das compras digitais aumentou a concorrência entre lojas físicas, plataformas on-line e vendedores que operam por diferentes canais, tornando menos previsível a distribuição das vendas.
Ao mesmo tempo, a migração dos consumidores para cartões e meios de pagamento que não são vinculados às grandes redes reduziu uma fonte tradicional de relacionamento entre varejistas e clientes. Na avaliação do ministro, esse conjunto de mudanças ajuda a explicar por que algumas companhias enfrentam problemas, sem que isso represente uma crise específica de toda a economia brasileira.
Declaração evita diagnóstico de colapso no setor
Durigan afirmou que não se deve transformar o tema em uma disputa política, usando a expressão “Fla-Flu”. Embora tenha dito que a economia brasileira vai bem, ele também reconheceu a existência de dificuldades e desafios que precisam ser considerados na análise do varejo.
A distinção é importante porque empresas podem enfrentar problemas próprios mesmo quando o setor, como um todo, não está em colapso. Endividamento, modelo de negócio, concorrência digital, condições de crédito e capacidade de adaptação podem produzir resultados diferentes entre companhias que atendem ao mesmo consumidor.
O que observar no consumo e para quem investe
Para quem consome, a fala do ministro reforça que juros altos podem influenciar tanto o preço final das compras parceladas quanto o momento escolhido para adquirir bens duráveis. A concorrência entre lojas físicas e canais digitais, por outro lado, mantém alternativas de compra, ainda que não elimine o efeito do crédito caro sobre a decisão das famílias.
Para investidores, o ponto central é acompanhar como cada varejista lida com o financiamento das operações, a margem de lucro e a mudança no comportamento dos clientes. A declaração de Durigan não altera, por si só, as condições de crédito: enquanto os juros permanecerem pressionando o consumo, o desempenho das empresas dependerá também de sua capacidade de competir e se adaptar ao novo mercado.
Impacto para a sociedade
Os juros elevados encarecem financiamentos e compras parceladas, o que pode adiar a aquisição de móveis, eletrodomésticos e outros bens. Para as empresas, o crédito mais caro reduz a capacidade de financiar estoques e operações, enquanto mudanças no consumo podem afetar empregos e a oferta de lojas.
